Fernando Lima
A falta de merendeiras na rede municipal de ensino de Franca, já reflete no dia a dia de alunos. Em pelo menos 15 escolas, as crianças estão sendo servidas com lanche, geralmente pão com frango e legumes.
A presidente do Conselho de Alimentação Escolar (CAE), Rejane Cristina da Silva, afirmou que faltam pelo menos 100 merendeiras na rede, e que o CAE já estava alertando desde 2017 sobre o assunto.
“Foi um retrocesso voltarem ao lanche seco. Foi alertado nas prestações de contas desde 2014, pelo CAE a falta de mão de obra de merendeira, e isso está ocasionando o descumprimento do cardápio, e chegou se ao limite do que poderia acontecer”, explicou.
Rejane ressaltou ainda que ela os outros conselheiros presenciaram desperdício do lanche que é servido. “Em uma das escolas não houve uma aceitabilidade das crianças, a escola tem 292 alunos, apenas 54 comeram, o resto foi descartado. Existe todo um processo que precisa ser feito, desde a questão nutricional, não se deve cumprir o mínimo, Franca deveria estar dando o máximo de nutrição para as crianças”, explicou.
Além da questão da educação a presidente do CAE contou que a situação já está esbarrando na questão social, isso porque as escolas que não estão servindo refeições completas, com arroz, feijão, mas apenas lanches, ficam em grande parte em bairros carentes, como o Jardim Aeroporto, na zona sul. “
“São bairros mais carentes, onde as crianças realmente precisam do alimento. Existem relatos de pais que contam que as crianças chegam em casa com fome, antes elas chegavam alimentadas. O tripé da educação é alimentação, transporte e educação pedagógica”.
A secretária de Educação de Franca, Márcia Gatti, afirmou que a cidade tem uma defasagem de 30 merendeiras, não de 100 como afirma o CAE. Ela explicou ainda que o problema já era previsto desde o ano passado, mas que a Prefeitura estava impedida de fazer novas contratações.
“Em 2021 a lei da pandemia proibia de fazer novas contratações, pudemos fazer apenas reposições, e foi o que fizemos. O problema teve início em 2019, na outra gestão, quando havia uma defasagem de 25 merendeiras e não houve contratação, por isso hoje está faltando”, contou.
Gatti explicou ainda que em 2021 a pasta tentou contratar uma empresa para servir marmitas nestas escolas, mas não houve interesse de nenhuma empresa. “Foi realizado o concurso público que vai contratar as merendeiras que faltam, mas ainda tem o chamamento, existe também o teste prático, todo um processo que leva tempo. A nossa expectativa é a de que até o final de abril, elas já estejam nas escolas fazendo o trabalho. O lanche foi o nosso plano z, mas ainda assim ele atende os critérios nutricionais exigidos em lei”, finalizou.