Fernando Lima
Desde o mês de maio a vida do advogado Júlio Flávio Barbosa Carvalho, de 25 anos, virou de ponta a cabeça. Ele alertou que estão usando o nome, os dados pessoais e até fotos dele para aplicar golpes em várias cidades do Brasil, incluindo Franca.
Tudo teve início quando o advogado foi comprar um video-game, ele buscou em várias plataformas e encontrou no facebook por R$1.500. “Entrei em contato com o suposto vendedor pelo Messenger, que solicitou meu número de WhatsApp e me chamou por lá, se apresentando como Wanderson da Silva. O suposto vendedor em mensagem privada enviou fotos e vídeos do produto, informando que estava em bom estado e que estaria vendendo, pois, a família estava passando dificuldades, solicitando o envio de documentos e fotos para comprovação de identidade do comprador, bem como estaria enviando as dele, se identificando como advogado e enviando foto de sua suposta OAB, sendo infelizmente feito o mesmo por mim”, contou Júlio, destacando ainda que também enviou uma foto segurando o documento da OAB e o endereço dele para o envio do produto.
O suposto vendedor solicitou ainda que o advogado fosse até o posto dos correios para verificar a possibilidade do envio por Sedex 10 de Brasília, onde ele tinha informado que morava. “Ele enviou um vídeo informando que havia a possibilidade, mas que a minha cidade não recebia Sedex 10 de Brasília. Assim, o suposto vendedor enviou fotos dos correios, afirmando que estava enviando o produto e solicitou a realização da compra por meio do aplicativo PicPay, enviando o link, o que foi feito por mim. Ocorre que, a seguir o suposto vendedor apresentou tabela que supostamente seria dos correios, informando que teria de apresentar recibo de R$ 2 mil para poder fazer o envio, solicitando o envio de mais R$ 500 por pix para fazer o envio e depois faria o reembolso”.
Foi exatamente aí que o advogado desconfiou da situação, questionando o vendedor que já parou de responder, constatando que tinha caído em um golpe. O cartão foi cancelado e o valor foi reembolsado pelo banco titular do cartão.
O advogado Júlio Flávio relatou que passados alguns dias, ele passou a ser contatado por diversas pessoas nas redes sociais como o Instagram, Facebook, WhatsApp pessoal e até profissional, questionando se ele estava vendendo um aparelho de videogame ou mesmo pedindo a restituição do valor já pago. Os dados dele estavam sendo utilizados de forma indevida por terceiros nas redes sociais, simulando vendas e praticando crimes.
“Por meio dessas pessoas constatei que os estelionatários haviam criado perfis falsos no Whats App, Facebook e Instagram com fotos baixadas dos meus perfis pessoais e até mesmo dublado vídeos que eu tinha encaminhado para o estelionatário que me aplicou o golpe. Com essas informações, esses golpistas estão se passando por mim e cometendo fraudes, encaminhando essas fotos para as vítimas como se eu fosse o estelionatário. Além disso, verifiquei que os estelionatários abriram contas, chaves pix e tentaram solicitar crédito com o meu CPF”.
“Dessa forma, nesse período de maio até a presente data, já foram criados dezenas perfis de Whats App e alguns perfis de Instagram e Facebook com fotos minhas com a finalidade de realizar o crime acima mencionado, da mesma forma que já foram criadas contas e chaves pix para o recebimento dos valores”, detalhou.
Em alguns casos excepcionais o estelionatário, quando não obtém sucesso com o golpe, passam o endereço do advogado para a pessoa buscar o produto. “Assim, venho percorrendo uma situação penosa à mim e a minha família, já tendo sofrido ameaças de vítimas que acreditam que eu sou o estelionatário, temendo por quais tipos de atitudes as vítimas vão tomar, tendo meus dados e endereço, temendo até pela minha vida. Já recebi processos em decorrência disso e sigo enfrentando esse problema”.
Júlio contou que não tem dimensão de quantas pessoas ao certo já foram vítimas do golpe com o rosto e dados dele, mas já foi contatado por mais de 100 pessoas em diferentes redes sociais. O advogado é formada em Franca, mas mora atualmente na cidade de Passos, há cerca de 100 quilômetros de distância, e mesmo assim moradores da cidade já foram vítimas do golpe com o rosto dele.
“Pessoas de Franca que já foram vítimas entraram em contato comigo, seja para me perguntar antes de realizar qualquer compra, para questionar se fui eu quem elas estavam falando, me avisar que caíram no golpe e estão usando meus dados e até mesmo casos nos quais são verbalmente agressivos e me ameaçam. Estimo que os estelionatários já tentaram praticar esse golpe não só com os meus dados em centenas de pessoas, das que entraram em contato comigo, sua grande maioria, diria que 75% são vítimas, em razão da complexidade em que o golpe é aplicado”.
No mesmo dia em que foi vítima, Júlio Flávio foi até o banco e cancelou o cartão de crédito que ele tinha utilizado para fazer a compra. No dia seguinte ele foi para a delegacia da Policia Civil para registrar o boletim de ocorrência comunicando detalhadamente os fatos e desde então vem acompanhando a investigação criminal.
“Em razão do vazamento dos meus documentos, contratei serviço do Serasa Premium que monitora o meu CPF e consultas que são feitas nele, me informando onde foram feitas e possibilitando a não visualização do Score em razão dessa fraude. No Serasa, também emiti um alerta sobre o vazamento dos meus documentos, para que, caso algum banco consulte o meu CPF, seja informado sobre essa fraude. Judicialmente ingressei com uma ação contra o Facebook, Instagram, Whats App, Vivo e Oi, com a finalidade de bloqueio das contas falsas nas mídias sociais, bem como a quebra de seu sigilo, fornecendo o IP (endereço eletrônico de quem está utilizando essas contas), dados cadastrais e também bloqueando os números utilizados, estando o processo ainda em andamento e todas as informações adquiridas deste encaminhadas para auxiliar na investigação”.
Outra medida tomada por ele foi um processo na Justiça Federal para solicitar a troca da numeração do CPF, informando sobre todas as contas falsas que foram criadas com meu documento, estando o processo também em andamento.
“Minha intenção de tornar público o que está acontecendo comigo é tanto para avisar as pessoas do que está acontecendo, evitando que mais pessoas sejam vítimas desse golpe, como também informar sobre como não serem vítimas como fui. Nunca encaminhe foto para outra pessoa com seu documento ou realize pagamento para um estranho, tome muito cuidado também com as suas redes sociais, hoje nos expomos muito com fotos que podem ser utilizadas por golpistas para aplicar golpes. Caso infelizmente você seja vítima de um golpe, procure um advogado e oriento que também faça da mesma forma que tenho feito, se resguardando e contribuindo como pode para a investigação”, finalizou.
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Cai nesse golpe e perdi 3500 reais
Cai nesse golpe perd 4000