A queda no preço da arroba do boi nesta semana, reflexo da suspensão das exportações de carne para a China, acende especulações sobre os impactos no bolso do consumidor final. Mas, em Franca, para especialistas e comerciantes de carnes, não exportar mais para os chineses e a consequente “sobra” de carne no mercado brasileiro não devem implicar na baixa do preço da carne bovina nas prateleiras de açougues e mercados.
Alguns tipos de cortes até ficaram mais baratos nos últimos dias, mas o motivo é outro. Todo fim de ano, entre outubro a dezembro as carnes de segunda acabam vendidas com valor mais acessível porque são realizadas mais confraternizações, eventos festivos e churrascos, em que o consumo de carnes nobres é mais comum. Com isso, os outros tipos sobram mais e o preço cai. “Começamos a perceber que o preço das carnes de segunda está caindo. Desde a semana passada, já teve redução de 13%, 15%. A costela custava R$ 21, R$ 22 o quilo, hoje está saindo por R$ 16”, afirmou Ailton Ribeiro, dono de um açougue no Jardim Redentor e que está no mercado há 30 anos.
Proprietário de uma casa de carnes na Vila Formosa, Fabrício Mendes também acredita que a redução será sazonal. “Realmente existe especulação de que com containers voltando da China com carne de boi os preços caiam, mas para a gente não teve impacto ainda. As peças de segunda até devem ficar mais baratas neste fim de ano porque vende muito mais grill, picanha e filé mignon, mas ainda não tivemos alteração neste tipo também, espero que a partir da semana que vem deve acontecer”.
Para o economista Adnan Jebailey, a curto prazo, em um, dois meses, é improvável que haja queda no preço da carne. Pode até haver alguma baixa, mas será pouco eficiente para o bolso do consumidor, segundo o especialista. “Para que haja uma queda significativa, é preciso que a suspensão das exportações se estendam por um prazo muito grande e os pecuaristas começem a trazer essas carnes para o mercado interno, o que acho bastante improvável de acontecer”.
Mesmo que a carne “represada” com a suspensão das exportações para China seja destinada para o mercado brasileiro, o impacto no preço do quilo para o consumidor deve ser pequeno. “No varejo, quando há aumento normalmente é mais sentido que a queda. As quedas geralmente são muito discretas”, afirmou o economista, que citou ainda outro movimento que deixa dúvidas sobre o direcionamento das carnes retidas para o mercado interno.
“Essa exportação para China está em um momento de stand by, então não se sabe se essa situação vai ser revertida ou não, tem muita carne em container e parada em frigorífico ainda, há expectativa dessa suspensão cair por terra, então os produtores ‘seguram’ essa carne ao máximo”.