Por Pedro Maia
Editor-chefe
O GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em parceria com a Polícia Militar, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Franca durante a Operação Garatéia, que investiga escritórios de advocacia suspeitos de fraudarem ações de aposentados e pensionistas.
A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 3.149.840 (três milhões, cento e quarenta e nove mil, oitocentos e quarenta reais). Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a investigação começou em 2024, apurando indícios de que escritórios de advocacia da região tenham usado procurações antigas ou genéricas para propor milhares de ações em nome de aposentados e pensionistas, em alguns casos sem que eles soubessem.
Também se apura se os valores obtidos nesses processos foram levantados e retidos sem o devido repasse aos clientes. Um levantamento do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) aponta mais de 12 mil ações ajuizadas pelo grupo entre 2022 e 2025.
Detalhes
Entre janeiro de 2021 e junho de 2025, uma análise financeira autorizada pela Justiça demonstrou que contas ligadas aos investigados receberam cerca de R$ 10,9 milhões em 3.812 levantamentos de valores depositados em processos judiciais, média de mais de dois por dia útil. De acordo com a investigação, apenas cerca de um quarto desse total foi transferido a pessoas de fora do grupo.
Ainda, uma empresa ligada aos suspeitos arrecadou cerca de R$ 770 mil em taxas cobradas de mais de 2,7 mil pessoas. Entre dezembro de 2024 e março de 2025, foi sacado em espécie algo em torno de R$ 1,38 milhão, valor que não foi localizado.
A ação envolve a apuração de crimes de organização criminosa, estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro. O material apreendido será analisado e pode embasar novas medidas.
O MPSP explica que Garatéia é um tipo de anzol com três pontas unidas a um único corpo central usado na pesca, para aumentar as chances de fisgar o peixe. O nome faz referência ao método investigado, no qual uma única procuração era aproveitada para propor várias ações em nome do mesmo cliente, multiplicando os processos a partir de uma só autorização.