Uma fiscalização promovida pela Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo culminou no fechamento de três postos de combustíveis na última quinta-feira, 20. O trabalho de campo, motivado por um alerta da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), resultou na interdição de duas unidades em Ribeirão Preto e uma em Franca.
As autoridades constataram irregularidades administrativas severas: os estabelecimentos operavam sem licença de funcionamento e utilizavam terminais de pagamento (maquininhas de cartão) vinculados a CNPJs de terceiros. Esse tipo de manobra é investigado por permitir o desvio do faturamento real das empresas, gerando sonegação fiscal.
Locais afetados pela interdição:
Franca: Posto Terrana (Avenida Miguel Alves de Melo França) – teve suas bombas lacradas, além da apreensão de documentos e equipamentos de cobrança.
Ribeirão Preto: Auto Posto Estrela de Madri (Avenida da Saudade).
Ribeirão Preto: Auto Posto Marechal Costa e Silva (Rua Capitão Salomão).
Os três estabelecimentos pertencem a Pedro Furtado Gouveia Neto, empresário citado na Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025 para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro atrelado ao crime organizado. As apurações indicam que Pedro é sócio da GGX Global, vinculada judicialmente ao grupo de Mohamad Hussein Mourad — apontado como um dos líderes da organização criminosa. A rede utilizaria distribuidoras, postos e fundos de investimentos para ocultar capital ilícito. Uma fase desdobrada do caso, denominada Fluxo Oculto, aponta que as práticas teriam continuado mesmo após as primeiras intervenções policiais.
O outro lado
Em posicionamento oficial, o Grupo GGX declarou que Gouveia Neto não atua na gestão direta dos postos desde junho. A empresa alega que as lacrações ocorreram estritamente por entraves cadastrais e documentais, temas que já estão sendo tratados no âmbito judicial e administrativo. O grupo rechaçou qualquer vínculo com facções criminosas e informou que atua para reabrir os postos.
A defesa do empresário Pedro Furtado Gouveia Neto não foi encontrada para se pronunciar sobre o caso.