Por Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo da Diocese de Franca.
A Igreja católica celebra na quinta-feira após à festa da Santíssima Trindade, a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Somos convocados como povo de Deus em volta do tesouro mais precioso que herdamos de Jesus Cristo, o sacramento da sua presença. O mesmo Jesus que se revela nos Evangelhos, é o que permanece conosco no pão e no vinho consagrados.
Adoramos, louvamos, bendizemos, cantamos e o levamos em procissão pelos quarteirões de nossas cidades enfeitados pelos fiéis. Ele no abençoa, nos alimenta e nos protege em nossa vida. Ele nos concede a sua paz.
O Papa Leão XIV tem insistido numa missão da Igreja, que ela recebeu de Jesus Cristo: a promoção da paz.
O nosso mundo passa por momentos de profundas crises, que clamam pela paz. Mas não é só a guerra bélica e os conflitos armados, temos também muitas formas de violência e de ofensa à dignidade humana e que ferem a paz. Na Bíblia, o termo que se traduz por paz é shalom, que significa o bem estar, a abundância, a saúde, a prosperidade, a verdadeira harmonia com Deus, com os irmãos e irmãs e com a natureza.
Quando falamos de paz, olhamos para Jesus, o príncipe da paz. Seu nascimento trouxe a paz (cf. Lc 14). Ele pregou que são felizes e serão chamados filhos de Deus os que promovem a paz (cf. Mt 5,9). E a nossa paz e veio anunciar a paz (cf. Ef 2,14.17). Quando se apresenta ressuscitado, deseja aos seus a paz (cf. Jo 20,19.21.26). Esta paz deve reinar em nossos corações (cf. C1 3,15).
Se celebramos na Eucaristia a presença real de Cristo; se ele é a nossa paz, somos responsáveis por esta presença e por este dom. O mistério que acreditamos, celebramos e vivemos, deve ser anunciado. A paz é sinal do Reino. É a paz que nasce da certeza de sermos amados por Deus. É a paz interior que ninguém pode tirar.
Somos herdeiros e arautos da paz, por isso somos responsáveis pela prática da verdade, da justiça, do amor, da solidariedade, da liberdade, da tolerância e do perdão. Conseguimos a paz vencendo o mal com o bem. “Onde reina o amor, triunfa a paz” (João Paulo II). Haverá paz na medida em que a humanidade for capaz de descobrir a sua vocação de ser uma única família, regulada pelos princípios de fraternidade e responsabilidade.
O Papa Leão XIV destaca que a verdadeira paz é um dom de Deus e um compromisso diário nosso. Ele nos convida a desarmar os corações da violência, do rancor e da indiferença, priorizando o diálogo, o perdão e a reconciliação.
Sejamos promotores da paz, vivendo em harmonia com o Criador e a criação. Somos promotores da paz quando construímos um mundo melhor, protegemos a vida do planeta e nossa vida. Somos promotores da paz quando mudamos a nossa mentalidade consumista, o nosso modo de ser, o nosso estilo de vida, promovendo uma cultura de paz.