O mês das mães tem ampliado o espaço para uma pauta que vai além das homenagens tradicionais: a realidade das mães atípicas, mulheres que cuidam de filhos com deficiências, transtornos do desenvolvimento ou condições que demandam atenção contínua. A data tem se consolidado como um momento de visibilidade para discutir sobrecarga, invisibilidade e a necessidade de suporte mais estruturado.
No Brasil, estima-se que mais de 2 milhões de pessoas estejam dentro do transtorno do espectro autista. Esse cenário impacta diretamente a dinâmica familiar e, em grande parte dos casos, recai sobre as mães a responsabilidade principal pelos cuidados, terapias e organização da rotina.
Além da jornada intensificada, especialistas apontam que essas mulheres enfrentam desafios emocionais, sociais e financeiros. Estudos indicam que a sobrecarga entre mães cuidadoras é significativamente maior em comparação à média da população, refletindo em níveis elevados de estresse e exaustão.
Para Alessandra Freitas, o reconhecimento dessa realidade ainda é limitado.
“Muitas mães atípicas vivem uma rotina invisível para a sociedade. O cuidado é contínuo, exige planejamento, adaptação e uma carga emocional intensa. Falar sobre isso no mês das mães é ampliar o entendimento sobre o que é, de fato, maternar nessas condições”, afirma.
Nos últimos anos, movimentos sociais e comunidades digitais têm contribuído para dar voz a essas mulheres, fortalecendo redes de troca e apoio. Ainda assim, especialistas destacam a necessidade de políticas públicas mais efetivas, ampliação do acesso a terapias e inclusão no mercado de trabalho para mães que frequentemente precisam reorganizar suas rotinas profissionais.
A discussão também passa por uma mudança de narrativa. Mais do que reforçar histórias de superação, cresce o entendimento de que é necessário reconhecer os desafios estruturais enfrentados por essas famílias e promover condições mais equitativas.