Celebrado em 7 de maio, o Dia do Oftalmologista ganha relevância diante de mudanças no comportamento da população, marcadas pelo uso cada vez mais intenso de dispositivos digitais. Estudos sobre saúde e desenvolvimento infantil já alertam para os impactos do tempo excessivo de telas, associando a exposição prolongada a riscos à saúde, incluindo alterações no padrão visual, além de prejuízos ao sono e ao desenvolvimento cognitivo.
No campo da saúde ocular, o avanço da miopia tem chamado a atenção da comunidade médica. A Organização Mundial da Saúde aponta a condição como uma preocupação crescente de saúde pública, em um cenário influenciado pelo aumento do tempo em atividades de foco próximo, como o uso de telas, e pela redução do tempo ao ar livre.
Segundo o médico oftalmologista Dr. Guilherme Manzoli, docente do IDOMED, o padrão de uso da visão mudou de forma significativa nos últimos anos. “O olho humano não foi projetado para longos períodos de foco em curta distância. A exposição contínua a telas exige esforço constante e pode contribuir para o desenvolvimento ou a progressão de problemas como miopia e fadiga ocular”, afirma.
Além da miopia, outros quadros têm se tornado mais frequentes, como a síndrome da visão de computador, caracterizada por sintomas como ardência, vermelhidão, dor de cabeça e sensação de olho seco. Especialistas destacam que o uso prolongado de dispositivos eletrônicos, aliado à falta de pausas e a condições inadequadas de iluminação, pode intensificar esses sintomas.
O cenário também reflete mudanças no perfil dos pacientes, com alterações visuais sendo identificadas cada vez mais cedo, inclusive em crianças, o que reforça a importância do acompanhamento oftalmológico desde a infância.
Para o docente do IDOMED, a prevenção é o principal caminho. “Consultas periódicas permitem identificar alterações ainda em estágio inicial. Além disso, medidas simples, como reduzir o tempo de tela, fazer pausas ao longo do dia e estimular atividades ao ar livre, ajudam a preservar a saúde ocular”, destaca.
A data reforça o papel do oftalmologista não apenas no tratamento, mas na prevenção e na promoção da qualidade de vida. Em um contexto de crescente digitalização, o cuidado com a visão passa a ser um componente essencial da saúde integral da população.