O mercado imobiliário de Franca e municípios do entorno registrou, em março de 2026, um movimento expressivo de recuperação, com crescimento de 116,95% nas vendas e 101,58% nas locações de imóveis residenciais usados, revertendo o cenário de retração observado no início do ano. Os dados são da pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, realizada junto a 70 imobiliárias da região.
A forte elevação nas transações reflete um conjunto de fatores econômicos e sociais. A ampliação do acesso ao crédito imobiliário, especialmente via financiamento habitacional, somada à necessidade de reorganização financeira das famílias após períodos de instabilidade econômica, contribuiu diretamente para o aumento da atividade. Outro vetor relevante é a busca por melhor qualidade de vida, com maior valorização de imóveis com mais espaço, sobretudo casas, tendência consolidada em cidades médias do interior paulista. O dado de que 100% das mudanças em locação ocorreram para imóveis mais baratos reforça um comportamento de ajuste orçamentário das famílias.
O levantamento evidencia a predominância das casas, responsáveis por 63% das vendas, enquanto apartamentos representaram 37%. A preferência recai sobre imóveis de dois dormitórios (45,5%) e três dormitórios (36,4%), com áreas entre 51 m² e 100 m², indicando um padrão de consumo voltado a famílias médias.
No aspecto financeiro, observa-se concentração relevante em imóveis acima de R$ 500 mil, com destaque também para faixas intermediárias entre R$ 151 mil e R$ 400 mil, demonstrando um mercado diversificado, mas com tendência de valorização. A maior parte das transações ocorreu pelo valor anunciado (54,3%), com descontos moderados predominando até 5%.
As vendas se distribuíram de forma equilibrada entre regiões centrais (39,4%), bairros nobres (24,2%) e demais regiões urbanas (36,4%). Esse comportamento evidencia um mercado que busca equilíbrio entre localização, preço e qualidade de vida, com crescente interesse por áreas fora do eixo tradicional central.
O financiamento imobiliário segue como principal motor das vendas. A Caixa Econômica Federal lidera com 50% dos contratos, seguida pelo financiamento direto com proprietários (25%). O dado reforça a dependência estrutural do crédito para sustentação do mercado imobiliário regional, especialmente em cidades de médio porte.
Locações em alta e perfil mais popular
O mercado de locação apresentou crescimento ainda mais acentuado, com aumento de 101,58%. As casas também lideram esse segmento, com 65% dos contratos, e há forte concentração nas regiões periféricas, responsáveis por 89% das locações, evidenciando o caráter mais acessível desse mercado.
Os valores de aluguel indicam predominância de contratos entre R$ 1.000 e R$ 1.500 mensais, representando cerca de 40% das locações. Há também participação relevante de faixas entre R$ 751 e R$ 1.000, demonstrando foco em famílias de renda média e média-baixa.
Entre as garantias locatícias, o seguro fiança lidera com ampla vantagem, representando 63,4% dos contratos, seguido pelo fiador com 29,3%. Outras modalidades, como título de capitalização, têm participação residual. O dado revela uma mudança estrutural no mercado, com maior profissionalização e redução da dependência de garantias tradicionais.
O papel essencial do corretor de imóveis
Diante de um mercado mais dinâmico e, ao mesmo tempo, mais complexo, a atuação do corretor de imóveis torna-se elemento central para a segurança das transações. Seja na análise documental, na intermediação de negociações, na avaliação de preços ou na orientação sobre crédito e garantias locatícias, o profissional habilitado assegura conformidade legal e reduz riscos para compradores, vendedores e locatários.
A intermediação profissional também contribui para maior transparência nas operações, equilíbrio nas negociações e proteção do consumidor, especialmente em um cenário de expansão acelerada como o observado em março.
Cenário geral: consolidação de um nove ciclo
O desempenho expressivo de março posiciona Franca e região em um novo ciclo de crescimento imobiliário, sustentado por crédito, ajustes econômicos das famílias e mudanças no padrão de moradia. O acumulado de 2026 já aponta alta de 83,65% nas vendas e 124,84% nas locações, enquanto o desempenho em 12 meses alcança elevações ainda mais robustas, consolidando a retomada do setor.
O cenário indica um mercado mais ativo, mais seletivo e cada vez mais dependente de orientação técnica qualificada, reforçando o papel estratégico do corretor de imóveis na organização e desenvolvimento sustentável do setor.
Acumulado 12 meses:
Vendas: + 167,08
Locações: + 294,68%