Com faturamento de mais de R$ 300 bilhões, resultado das mais de 200 mil franquias em operação por todo o País, o franchising brasileiro se consolidou como um importante protagonista do crescimento da economia brasileira no ano passado. O setor é responsável, ainda, por quase 1,8 milhão de empregos formais, sendo também a principal porta de entrada para o primeiro emprego de milhares de jovens brasileiros.
“Algumas características da natureza do franchising tornam o setor mais preparado para o novo momento do mercado, que exige inovação, agilidade, escala e trabalho colaborativo”, afirma Tom Moreira Leite, presidente da ABF – Associação Brasileira de Franchising. Para ele, atributos como esses são fundamentais diante de um cenário macroeconômico complexo e de grandes transformações culturais e tecnológicas, que impactam diretamente o comportamento do consumidor.
Em 2025, o setor alcançou o maior faturamento de sua história, somando R$ 301,7 bilhões — avanço nominal de 10,5% em relação a 2024, segundo revela a Pesquisa de Desempenho do Franchising realizada anualmente pela entidade. Em Franca, o faturamento superou os R$ 681 milhões.
O resultado superou as projeções iniciais da ABF para o ano (8% a 10% no início de 2025). A aceleração no quarto trimestre foi determinante para esse desfecho, refletindo a combinação de datas sazonais estratégicas, maior confiança do consumidor no período, expansão das redes por cidades menores e o ganho de eficiência operacional das marcas. Com crescimento de 10,1% frente ao mesmo intervalo de 2024 e faturamento de R$ 89,3 bilhões, os últimos três meses do ano evidenciaram a capacidade do franchising de capturar oportunidades de demanda, sustentar margens e encerrar 2025 em trajetória ascendente.
Segundo a Pesquisa, outros fatores importantes para o resultado do setor no ano passado foram a contínua revisão do mix de produtos/serviços das redes, o crescimento das vendas com maior valor agregado e ticket médio, e a elevada demanda por serviços que oferecem conveniência e praticidade ao consumidor de forma geral.
Com esses resultados, o franchising mais uma vez comprova sua maturidade e importância para a economia brasileira.
Empregos, operações e redes
Na geração de empregos, segundo o estudo da Associação, as redes de franquias totalizaram 1,762 milhão de trabalhadores diretos em 2025, o que representa uma variação positiva de 2,5% frente a 2024, reforçando a relevância do setor como importante porta de entrada no mercado de trabalho, especialmente na oferta do primeiro emprego.
Quanto à expansão, houve um acréscimo de 4.735 operações frente ao quarto trimestre do ano anterior, totalizando 202.444 franquias em funcionamento no País em 2025 – outro recorde, ligadas a 3.297 redes, cujo número ficou estável frente a 2024, demonstrando maior maturidade do franchising nacional.
A análise do movimento de abertura e fechamento de operações ao longo de 2025 mostrou que, considerando a base de marcas associadas à ABF, houve uma taxa média de abertura de novas operações de 18,0%, levemente acima dos 17,8% registrados em 2024. O volume de encerramentos foi de 7,4%, também superior ao do ano anterior (6,4%), o que resultou em um saldo positivo de 10,6% — um pouco abaixo dos 11,4% apurados em 2024, mas ainda evidenciando a expansão do setor. Já o repasse de operações alcançou 4,0%, acima dos 3,4% verificados no período anterior.
Projeções para 2026
Com base nos indicadores domésticos, que apontam para uma acomodação da atividade econômica, possível diminuição dos juros e da inflação, a ABF estima que o franchising brasileiro deve continuar com avanço no faturamento acima em 2026, com projeção entre 8% e 10% de crescimento nominal.
A expectativa é que o franchising continue atraindo empresas e novos empreendedores. Para 2026, o número de redes deve crescer de 2% a 4%, o de operações 1% a 3%, e, consequentemente, o número de empregos diretos também entre 1% e 3%.
Essas projeções também consideram que o mercado de trabalho permanecerá forte ao longo do ano, sustentando o poder de compra das famílias. Soma-se a isso, a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil, além da injeção de recursos de programas sociais na economia.