Por Pedro Maia
Editor-chefe
Nesta terça-feira, 10 de março, o 1º Vice-presidente geral do CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Wandermir Francesconi Júnior, esteve em Franca para participar da primeira reunião do novo Conselho da Regional Franca, empossado em 2025 para o quadriênio 2026/2029. A cerimônia foi conduzida pelo Coordenador do CIESP Franca, Heber Pereira. Participaram também o Diretor-titular da Regional, Carlos Tavares, o 1° Vice-diretor, Saulo Pucci Bueno, e o 2º Vice-diretor, Lucas Sia Mendonça.
Durante o ano, serão realizadas mais duas reuniões do Conselho, além de outras três com os associados. O CIESP Regional Franca é um dos 42 polos espalhados pelo território paulista e abriga 19 municípios, sendo quase 2,9 mil empresas industriais, com mais de 52 mil profissionais.
Em sua fala, o diretor Carlos Tavares agradeceu aos 39 conselheiros da atual gestão: “o principal objetivo é de que a maior parte dos segmentos da indústria de toda a nossa região, estejam representados. A maior parte dos segmentos hoje estão no nosso conselho. Traz bastante representatividade, deixa um canal aberto do Ciesp para com todas as realidades. Nossa indústria é bastante diversificada, então não poderia ser diferente!”.

O vice-presidente geral do CIESP, Wandermir Francesconi Júnior (©Pedro Maia/Jornal Verdade)
União e Integração
O Jornal Verdade entrevistou com exclusividade o 1º Vice-presidente geral do CIESP, Wandermir Francesconi Júnior. No bate-papo, a reportagem questionou sobre quais foram as atuações mais importantes da entidade no ano de 2025 e se há novos projetos em preparação para este ano. Segundo ele, na região de Franca, há um diferencial muito grande: a união da classe empresarial.
“Esta união, que se reflete no conselho, permite uma integração que fez com que Franca fosse uma das primeiras cidades do interior de São Paulo a apresentar efetivamente um projeto de desenvolvimento regional. O CIESP, o nosso presidente Rafael Cervone, o governador Tarcísio, Jorge Lima (Secretário de Desenvolvimento Econômico de SP), desenvolveram um projeto que está virando realidade, que é buscar as vocações de cada região e desenhar aquilo que pode ser feito para cada uma delas. Aqui, quando o Carlos apresentou o projeto, tinha a necessidade da vinda do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), por exemplo. E isso está se concretizando! Então, são projetos que veem a demanda da região, a demanda da indústria, a demanda para o desenvolvimento regional e isso permite avançar”, disse Francesconi, afirmando que a integração dos empresários permite que esses projetos, liderados pelo CIESP, avencem, pois refletem a necessidade da região.
Impactos econômicos
Franca é uma região historicamente calçadista, mas que já se vislumbra um crescimento em outras áreas, como nos alimentos, nos artefatos de couro, na borracha, além de adaptações a novas vertentes. Em meio a um cenário de instabilidade econômica no Brasil, assolado tanto por crises internas como pelas ações internacionais – o anterior ‘tarifaço’ do Presidente Donald Trump (EUA), a esperada alta do Petróleo em função da guerra entre Estados Unidos e Irã, por exemplo – Francesconi reforçou como se deu a atuação da entidade.
“Em relação ao ‘tarifaço’, num primeiro momento, o CIESP entendeu como ele seria efetivamente aplicado e orientou as indústrias sobre como elas poderiam trabalhar. Ele veio num momento que é completamente fora do propósito, porque os os Estados Unidos exportam para o Brasil muito mais do que o Brasil exporta para os Estados Unidos. Então, os EUA é superavitário em relação ao Brasil na balança comercial. Não tinha o porquê de se aumentar uma tarifa!”, explicou. “O presidente Rafael Cervone, o presidente do FIESP, Paulo Skaf, foram aos EUA trabalhando a importância do Brasil perante o comércio internacional. Então, nosso trabalho é obviamente defender o interesse dos nossos associados”, continou.
Remessa Conforme
O vice-presidente falou também sobre a Remessa Conforme, programa criado pela Receita Federal que regulariza a taxação de compras internacionais de até US$ 50 dólares. O plano afetou fortemente a indústria calçadista de Franca, levando em consideração que as mercadorias importadas da China, por exemplo, não teriam nenhua tributação. “Por que não haver essa mesma isonomia com os fabricantes brasileiros, com os fabricantes locais? Se o produto importado pode entrar sem tributo, por que o produto brasileiro também não pode ser vendido sem tributo neste valor pequeno? Então, esse trabalho foi feito perante o governo e fez o governo retroceder em relação à primeira tarifa que estava sendo aplicada”, informou.
“Não adianta você importar produtos e aqui você não ter trabalho para a população. Se a população não tiver trabalho, ela não tem dinheiro para comprar. O emprego é a maior e melhor forma de distribuição de renda que possa existir! As indústrias são as maiores investidoras de bons empregos, normalmente são melhor remunerados. Nós fazemos absolutamente tudo para que as indústrias possam se desenvolver”, inferiu.
Jornada de Transformação Digital
Wandermir enfatiza sobre a Jornada de Transformação Digital, promovida pelo FIESP, CIESP, SENAI-SP e SEBRAE-SP e que já atendeu a várias empresas de Franca. O trabalho presta consultoria e direcionamento às empresas com faturamento em até R$ 8 milhões para serviços de digitalização, automação e otimização de processos, de modo a ampliar a produção e a competitividade tecnologicamente.
“É um trabalho que o SENAI faz dentro da própria indústria e que ajuda a ter ganhos de produtividade via transformação digital. Muitas dessas indústrias chegaram a ter 30%, 40%, 50% de resultado em cima disso: de redução, de melhoria e de eficiência. A inteligência artificial é outro item que é importantíssimo. Esse ano, a gente começa a Jornada de Inteligência Artificial, para introduzir nas nossas indústrias esse conceito, para que os empresários aprendam sobre isso e possam utilizar”, ressaltou.
Posicionamentos do CIESP
2026 é um ano eleitoral. O CIESP já se manifestou, por várias vezes com relação à desaceleração da economia, à falta de incentivo à indústria, entre outras questões. Francesconi lembra que o CIESP é completamente apartidário e que sempre buscará as melhores soluções a partir do diálogo.
“Nós temos que conversar com os pré-candidatos e mostrar para eles aquilo que a indústria precisa, aquilo que o Estado precisa, aquilo que a região precisa. Esse é um trabalho de interlocução que a gente faz com dados técnicos que nós temos para informá-los daquilo que efetivamente acontece e propor também soluções. Anos eleitorais são anos controversos. Por exemplo: a redução da jornada, a eliminação da escala 6×1 e assim por diante. Esses assuntos acabam vindo em anos eleitorais, porque eles podem de alguma forma virar bandeira de campanha. O nosso trabalho, nesse sentido, é pela melhoria da qualidade do trabalho, sempre há o que melhorar! Agora, nós temos que fazer isso de uma forma técnica. Nós temos que mostrar quais são os impactos que isso pode trazer, os prós, os contras, e ajudar a população a entender pelo que é melhor”, mencionou.
Escala 6×1 e Mão-de-obra
O vice-presidente declarou que o CIESP discutirá com vários parlamentares as vantagens e desvantagens do assunto, para que tomem a decisão mais técnica possível, já que empregos melhores e não são necessariamente resultado de redução na escala de trabalho. Estudos demonstram que o custo por uma redução “na canetada” pode aumentar em até 30%, pois as despesas não necessariamente recairão sobre o produto gerado, mas em prejuízos à Indústria que, em dado momento, precisará investir em maquinário mais moderno e produtivo, resultando na perda de empregos.
“Os países que fizeram redução acabaram, com o tempo, não crescendo tanto quanto poderiam crescer. Outros países que fizeram já tinham uma qualificação da mão-de-obra que permitia essa redução. Para se ter uma ideia, por exemplo, a produtividade de um trabalhador nos Estados Unidos é quatro vezes maior do que aqui no Brasil. Por quê? Porque o trabalhador de lá é melhor que o daqui? Não! Porque tem melhores condições de infraestrutura, porque teve uma melhor formação, porque o país é um país que estimula o investimento em tecnologia, que traz muito mais produtividade do que a redução, por exemplo”.
Houve consenso entre os empresários de que há muitos postos de trabalho, mas faltam profissionais para executar a função. Muitas pessoas também discutem se o aprimoramento da Inteligência Artificial pode colocar em cheque os empregos disponíveis à população. Para Wandermir Francesconi Júnior, o que haverá será uma transformação de empregos, pois a máquina não pode substituir o ser humano.
“Nós não entendemos que haverá desemprego. O que haverá é uma transformação dos empregos, por isso que nós estamos fazendo a Jornada de Inteligência Artificial, para mostrar como ela pode colaborar para que o emprego seja melhor, para que o resultado seja melhor. A IA tem que ser utilizada para suplementar, para complementar e não para substituir, porque ela não substitui. O humano é sempre maior do que o artificial, disso a gente não tem dúvida. Agora, tem determinadas funções que eventualmente vão mudar e aí nós temos que preparar a mão-de-obra para ela estar pronta para mudar de posição, para usá-la como um ganho para o próprio trabalho dela. É isso que a gente quer ensinar e mostrar através dessa jornada que a gente vai começar”, concluiu.
