Um levantamento do Jusbrasil, plataforma de inteligência jurídica, analisou 11.197 decisões judiciais relacionadas a maus-tratos contra animais no Brasil, com decisões proferidas entre 2020 e 2026. O recorte começa em 2020, ano em que entrou em vigor a legislação que endureceu as penas para crimes de maus-tratos contra animais, permitindo observar os efeitos da mudança legal sobre a judicialização do tema.
Para garantir precisão, o estudo considerou apenas decisões em que os maus-tratos contra animais eram o tema central do julgamento.
Crescimento contínuo ano a ano
Os dados mostram um crescimento consistente da judicialização dos maus-tratos contra animais entre 2020 e 2025, com aumento no número de decisões relevantes em todos os anos analisados:
O crescimento contínuo indica não apenas o aumento das ocorrências levadas ao Judiciário, mas também uma maior atuação do sistema de Justiça e uma mudança na percepção social sobre a gravidade desse tipo de crime.
Resultado das decisões
A Justiça reconheceu a ocorrência de maus-tratos em cerca de metade dos casos analisados:
Nos casos em que não houve reconhecimento, um fator central foi a falta de provas, especialmente a ausência de perícia técnica. Em aproximadamente 4,2 mil dos cerca de 5,5 mil casos sem condenação, não foi realizada perícia, o que levou ao encerramento do processo por insuficiência probatória — sem que isso signifique, necessariamente, a inexistência de maus-tratos.
Penas aplicadas quando há reconhecimento
Nos 5.585 casos em que a Justiça reconheceu os maus-tratos, as penas aplicadas se concentraram principalmente em três faixas:
Apesar disso, em 2.835 casos, a pena privativa de liberdade foi substituída por outras sanções, entre elas, 2.045 penas substituídas por multa
Em 1.261 casos, a multa foi fixada em 1 salário mínimo, representando cerca de metade das multas aplicadas