Com a proximidade do Natal, um dos períodos de maior volume de compras do ano, cresce também a atuação de golpistas no ambiente digital. Mesmo com alertas constantes de instituições financeiras e campanhas educativas nas redes sociais, os golpes continuam avançando. A explicação está menos na falta de informação e mais na sofisticação das fraudes, que hoje exploram dados reais e gatilhos emocionais para induzir vítimas ao erro.
Segundo Luis Zan, Head de Avaliação de Risco e Prevenção a Fraudes da 99Pay, conta digital da 99, os criminosos evoluíram significativamente. Em vez de abordagens genéricas, eles passaram a pesquisar a fundo suas vítimas, coletando informações públicas e privadas para construir narrativas altamente convincentes. Processos judiciais em andamento, dados cadastrais, histórico de consumo e até interações em redes sociais são usados para dar legitimidade ao golpe.
“Os golpistas deixaram de apostar apenas na ingenuidade. Hoje, eles estudam o comportamento das pessoas, usam informações verdadeiras e criam histórias muito bem elaboradas, o que reduz a desconfiança da vítima”, explica o executivo.
Essa estratégia não é nova. O ex-golpista Frank Abagnale, cuja história inspirou o livro e o filme “Prenda-me se for capaz”, já destacou em diversas entrevistas que fraudes bem-sucedidas dependem de três pilares: preparação, aparência de autoridade e pressão emocional. Na era digital, porém, esses elementos ganharam escala e velocidade sem precedentes.
“O criminoso sabe exatamente o que dizer e quando dizer. Ele cria um senso de urgência, como uma oferta imperdível de Natal ou a ameaça de perder dinheiro, para impedir que a pessoa pare, pense e verifique a informação”, afirma Zan.
Golpes mais sofisticados e em maior escala
Dados recentes do Relatório de Identidade e Fraude 2025, 51% dos brasileiros já foram vítimas de algum golpe e mais da metade teve perdas financeiras, o que evidencia a rápida expansão desses tipos de crime.
Além de golpes tradicionais, como falsas vendas de veículos, surgem variações mais complexas, incluindo promessas de “liberação de valores” ligadas a processos judiciais reais ou ofertas personalizadas baseadas em dados legítimos. O uso de informações verdadeiras aumenta drasticamente a taxa de sucesso dessas fraudes. “O consumidor pensa: ‘se eles sabem isso sobre mim, deve ser legítimo’. É exatamente aí que mora o perigo”, alerta o executivo da 99Pay.
Como se proteger
Durante o período de compras de Natal, quando a pressa e o volume de ofertas aumentam, Zan recomenda atenção redobrada. Algumas práticas, sendo ele, ajudam a reduzir os riscos:
“Estamos em alerta e adotamos medidas extras para proteger os usuários neste período de alto consumo. Mas a atenção do usuário é fundamental: desconfie da pressa, confirme identidades e utilize apenas canais oficiais para pagamentos”, reforça Luis Zan.