A programação de cinema de novembro do Sesc Franca reúne, sempre às terças-feiras, dois filmes nacionais que propõem reflexões sobre mobilidade social, violência e experiências urbanas: O Homem que Copiava (Jorge Furtado, 2003) e Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002). As sessões articulam exibições que ajudam a situar o debate acerca das desigualdades e dos percursos individuais em cenários brasileiros.
O Homem que Copiava, em exibição no dia 4/11, narra a rotina de André, operador de fotocopiadora em Porto Alegre, cuja busca por ascensão social o conduz a uma sequência de escolhas que misturam invenção, crime e desejo de sair de uma condição econômica limitada. A partir de uma copiadora a cores, André passa a reproduzir cédulas e a testar os limites entre ética, sorte e violência cotidiana. A obra de Jorge Furtado combina narrativa policial com humor e crítica
social, e obteve reconhecimento em premiações nacionais.
No dia 11/11, Cidade de Deus traz a perspectiva de Buscapé, jovem que cresce na comunidade homônima e sonha em ser fotógrafo. O longa traça trajetórias que cruzam infância, organização do crime e tentativa de inserção social, mostrando como faltas de oportunidade e rotinas de violência moldam escolhas individuais e coletivas. Filmado com elenco formado em grande parte por não atores e fruto de oficinas com moradores, o filme tornou-se referência internacional e alterou o modo como o cinema brasileiro passou a dialogar com o espaço urbano e a emergência do favela movie (termo que se refere a um gênero cinematográfico, popularizado a partir dos anos 2000, com filmes que usam as comunidades de favela como cenário principal).
Os dois títulos centralizam narrativas sobre desigualdade e mobilidade social, mas o fazem por caminhos distintos. O Homem que Copiava trabalha uma fábula urbana em que artifícios e pequenos golpes assumem papel de alegoria sobre a busca por ascensão; Cidade de Deus opta por um retrato que expõe o processo histórico de formação do crime organizado e suas repercussões sobre gerações. Juntos, permitem olhares complementares sobre como recursos, redes sociais e violência atuam sobre projetos de vida nas cidades brasileiras.
Serviço
• O HOMEM QUE COPIAVA
Dir.: Jorge Furtado. BRA, 2003, 123 min.
Data: 04 de novembro. Terça, 19h30
Classificação indicativa: 14 ANOS
Local: Teatro do Sesc Franca
Grátis | Ingressos 1h antes
• CIDADE DE DEUS
Dir.: Fernando Meirelles, Kátia Lund. BRA/FRA, 2002, 130 min.
Data: 11 de novembro. Terça, 19h30
Classificação indicativa: 16 ANOS
Local: Teatro do Sesc Franca
Grátis | Ingressos 1h antes