Por Pedro Maia
Editor-chefe
Os pais das 12 vítimas do acidente acontecido em 20 de fevereiro de 2025, na Rodovia Waldir Canevari – que liga São José da Bela Vista a Nuporanga – enviaram uma carta ao Ministério Público solicitando que recorram da sentença que determinou a prisão de 5 anos e 9 meses, em regime semiaberto, e 7 meses de suspensão da CNH ao motorista do caminhão envolvido na tragédia. O fato aconteceu quando os estudantes, de São Joaquim da Barra, voltavam de universidades de Franca.
Em nota transmitida à imprensa, os familiares declaram que a sentença proferida neste caso causou indignação e dor profunda. “Traduzindo esse cálculo frio, cada vida perdida equivaleria a apenas 5 meses e 22 dias de prisão. É isso o que vale a vida de nossos filhos? Não aceitamos que a memória de 12 jovens cheios de sonhos seja reduzida a números tão pequenos. Sentimos que essa decisão não faz justiça, mas sim banaliza a dor de famílias inteiras e reforça a ideia de que a imprudência no trânsito pode continuar impune”, afirma.
“Confiamos que o MP, como guardião da vida e da sociedade, poderá rever esse cenário de injustiça e dar um passo para que nossos filhos não sejam esquecidos”, diz trecho da declaração. Adiante, os pais destacam que não falam somente como aqueles que perderam seus filhos, mas como cidadãos que acreditam que a vida humana deve ser respeitada e valorizada. “Nossa causa não é apenas pessoal, é coletiva: queremos que nenhuma outra família precise passar pelo que estamos vivendo”, infere.
Carta ao MP
A carta, assinada pelos pais dos estudantes, foi escrita por Lídia Marla Neves Hespanhol e Marcos Antônio Hespanhol, pais de Juliana Neves Hespanhol, que cursava Administração. Nela, eles reforçam a indignação com a determinação e enfatizam que atos de imprudência e negligência no trânsito não podem ser banalizados. Confira na íntegra:
“Ao Ministério Público do (Estado de São Paulo)
Promotoria de Justiça de Nuporanga/Comarca)
Excelentíssimo(a) Senhor(a) Promotor(a) de Justiça,
Venho por meio desta, com o coração profundamente dilacerado, expressar minha imensa dor e indignação diante da sentença proferida no caso do acidente ocorrido em (20/02/2025) que tirou a vida de minha filha, (Juliana Neves Hespanhol), e mais 11 jovens cheios de sonhos e futuro.
É impossível para nós, como mães/pais, aceitar que a vida de 12 jovens seja considerada com uma pena de apenas 5 anos e 9 meses, em regime semiaberto e com apenas 07 meses da suspensão da CNH. Essa decisão soa como um grito de injustiça, como se a vida desses meninos e meninas valesse tão pouco diante de tamanha irresponsabilidade.
Cada dia, cada noite, somos obrigados a conviver com a ausência, com o silêncio deixado por quem foi arrancado de nós de forma tão brutal .Nossos filhos não terão uma segunda chance, não voltarão para casa, não poderão realizar seus sonhos .E no entanto, o responsável poderá, em breve, retornar sua rotina quase normalmente.
Pedimos, humlldemente, que este Ministério Público analise a possibilidade de recorrer desta sentença, buscando uma punição justa, que demonstre que a vida humana tem valor e que atos de imprudência e negligência no trânsito não podem ser banalizados.
Não buscamos vingança, mas justiça. Justiça por minha filha, por todos os jovens que partiram e por todas as famílias que agora vivem um luto sem fim. Que a memória deles não seja apagada por uma decisão branda, que passa á sociedade a mensagem de que vidas podem ser ceifadas sem consequências proporcionais.
Acreditamos na atuação do Ministério Público como defensor dos direitos da sociedade e da vida. Por isso, deixo este pedido como um clamor de uma mãe/pai que perdeu o bem mais precioso que tinha, pedindo que não deixem que a morte desses 12 jovens seja tratada como apenas mais um número em um processo.
Com lágrimas nos olhos e fé na justiça, agradeço pela atenção e por tudo que possa ser feito para que a verdade e a justiça prevaleçam”.