A EarthDaily, empresa especializada no monitoramento de áreas agrícolas com uso de dados de satélite, alerta para os riscos nos canaviais no estado de São Paulo na próxima semana. Modelos climáticos apontam para a chegada de uma nova onda de calor, com temperaturas médias máximas em torno de 39°C, o que tende a ampliar os prejuízos à produção de cana-de açúcar e elevar de forma significativa o risco de novos incêndios.
A evolução do índice de vegetação (NDVI) nas macrorregiões de Ribeirão Preto e Araraquara nas últimas semanas mostra uma deterioração evidente dos canaviais, ainda mais acentuada do que em 2024. O analista de safra da EarthDaily, Felippe Reis, explica que a hipótese inicial relaciona a queda dos valores a problemas na leitura dos dados de satélite causados pela cobertura de nuvens. No entanto, a baixa precipitação registrada no período torna essa explicação pouco provável. “A segunda hipótese, mais consistente, aponta que a combinação de calor intenso e principalmente a seca estão impactando de forma negativa o desenvolvimento das plantas”, relata.
Especialmente na macrorregião de Araraquara, o frio que predominou na primeira quinzena de agosto deu lugar à onda de calor que atingiu praticamente todo o estado. No município de Nova Europa, a média das temperaturas máximas superou os 34 °C e, em algumas cidades da região, foram registrados focos de incêndio, com riscos às lavouras de cana-de-açúcar. Para este fim de semana (30 e 31/08), a previsão indica que as temperaturas devem permanecer próximas da média.
Já em algumas áreas do Paraná e de Mato Grosso do Sul, ocorreu o oposto: as chuvas registradas ao longo de agosto interromperam a colheita de cana em alguns dias. No dia 4 de agosto, o volume próximo de 25 milímetros (mm) inviabilizou praticamente todas as operações de campo. Situação semelhante ocorreu na quarta-feira da semana passada (20/8) e novamente no domingo (24/8), ainda que com acumulados menores.
“Com isso, o mês deve encerrar com pelo menos três dias de paralisação das atividades de colheita nessa região, reduzindo a oferta de cana disponível para moagem no período e podendo afetar o ritmo da produção de açúcar e etanol”, reforça o analista.
Tanto o modelo climático ECMWF quanto o GFS preveem temperaturas acima da média no curto prazo para a maior parte do país, com o GFS prevendo um calor ainda mais intenso, com temperaturas até 7°C acima da normalidade em algumas áreas provocando queda da umidade do solo em São Paulo.