Franca foi destaque nacional e presença internacional quando o grupo Amazonas patrocinou o basquetebol masculino. A mídia recebia o noticiário com simpatia, porque era um período positivo do esporte e a forte presença de patrocínio com objetivo de promover o basquete e outros esportes olímpicos valorizando marcas e, a cada conquista, destacar valores e técnicas. Nos anos 1974/1980, um momento mágico, histórico e inesquecível.
Paulo Fernando D. Gonçalves, editor.

Naqueles anos dourados tive o privilégio de estar atuando como encarregado de assuntos de exportações, importações, registros de marcas e patentes quando fui convidado pelo diretor Nelson Presotto Pucci a integrar a empresa mais consolidada no setor de componentes para calçados, então vivendo momento positivo de vendas no país e no exterior, pela exportação de calçados e correlatos do vestuário. Morava em São Paulo e a empresa, em Franca, decidiu pelo apoio ao basquetebol, dando-me a incumbência de atuar nos órgãos maiores do esporte brasileiro, enquanto dividia meu tempo de trabalho com reuniões no Comitê Olímpico Brasileiro, Confederação Brasileira e Federação Paulista de Basquetebol.

Mais que Relações Públicas a empresa queria estar presente na mídia com o esporte e o vínculo da marca nos principais centros produtores de calçados no país e na América Latina. Interagindo em Nova Serrana (MG), Goiânia (GO), Rio de Janeiro (RJ), João Pessoa (PB), Belo Horizonte (MG), São Leopoldo e Novo Hamburgo (RS), o time se exibia em competições festivas das cidades e, ainda, foi a primeira e única equipe a vestir oficialmente o uniforme da Seleção Brasileira e se apresentar num torneio internacional em Montevidéu, Uruguai, sempre brilhando e trazendo troféus.
Da revista Placar ao jornal Pasquim
A divulgação do noticiário esportivo aliado ao Marketing do grupo Amazonas é a ponte que abriu caminhos de interação nacional, tanto que numa reunião no COB, o então diretor de esportes do Exército, pediu que abríssemos agenda para fazer uma exibição em Manaus, no Amazonas, onde era coordenador da Educação Física e de Esportes Olímpicos, para brindar os manauaras com um time campeão ostentando o nome do Estado. Ali formaram uma seleção entre soldados do 1º Batalhão de Selva e a base do time do Remo, de Belém, para um jogo histórico. O Amazonas/Franca aplicou a maior vitória centenária de sua história, ultrapassando os 130 pontos. Sucesso total…

Paulo Pucci, diretor comercial vivia cortando jornais e noticiário via telex da mídia e determinou que fosse manter contato com os veículos mais expressivos de e então, quando me tornei amigo e interlocutor de editores de A Gazeta Esportiva (o Cecílio Favaretto), Rede Bandeirantes (via Leporace com José Paulo de Andrade), da revista Placar (Juca Kfouri), José Góes (Diário SP e TV Tupi), Luis Noriega e Orlando Duarte (TV Cultura), Edson Moura (Jornal do Brasil) e até no jornal semanal de humor político O Pasquim, no Rio de Janeiro. Meu trabalho foi bem valorizado e reconhecido.
Amanhecer no Rio de Janeiro
Cumprindo roteiro semanal da ponte aérea SP/Rio em viagens técnicas para documentação na Cacex do BB, Divisão de Borrachas e INPI do Ministério da Indústria e Comércio, aliava a presença no Rio de Janeiro à pauta de reuniões na CBB, presidida pelo almirante Alberto Cury, amigo de Omar Pucci e meu dileto confrade de jantares e coquetéis. Ele indicou e foi marcado um encontro na redação de O Pasquim, em Botafogo, quando fui conhecer a equipe, especialmente o diretor Sérgio Jaguaribe “Jaguar”, d. Nelma e Ivan Lessa (que degustavam cervejas às 10 horas, redigindo seus textos.

A sugestão de Paulo Pucci foi bem aceita e Jaguar passou a idealizar um tipo de símbolo basqueteiro, um indiozinho semelhante ao ratinho Sig, para ilustrar as tirinhas que seriam produzidas. Criou várias que eu trouxe para avaliação em Franca, cujos originais devem estar nos arquivos da Amazonas, preservados pelo Marco De Russi, entre outros registros em imagens e textos de meus relatórios de viagens da época
O projeto seria um evento nacional que, ao ser encerrado o apoio do Grupo Amazonas ao basquete local (o que é outra fase histórica, detalhada em meu livro “Agora eu conto…” ainda inédito. O personagem de Jaguar não foi concluído porque não haveria meios de patrocinar em tirinhas semanais, diante do rompimento do vínculo da Amazonas com o basquetebol. Seria um enorme sucesso editorial, mas…
A morte de Sérgio Jaguaribe, o humorista Jaguar, aos 93 anos nesta semana, encerra um capítulo da história mais empolgante do humor e da resistência política no jornalismo brasileiro nas décadas de 1970/1980. A ele dedico parte de minha modesta, porém corajosa obra jornalística, relembrando os goles de café servidos por d. Nelma na redação de O Pasquim, naqueles anos dourados. Ríamos muito, enquanto lhe dava dicas de termos, frases e apelidos do basquetebol francano, além dos vários pacotes de paçoquinha que lhe presenteei. Vale por uma vida.
Até breve, querido Jaguar…