No Brasil, o infarto continua sendo uma das principais causas de morte, mesmo com os avanços na medicina e nas estratégias de prevenção. Em 2024, 77.477 brasileiros perderam a vida em decorrência de infarto agudo do miocárdio, segundo dados dos Cartórios de Registro Civil, divulgados pelo Portal da Transparência. Esse número representa uma média alarmante de 212 mortes por dia, cerca de nove pessoas por hora.
Diante desse cenário, a campanha Agosto Azul e Vermelho reforça a importância de cuidar da saúde vascular. A ação, promovida em todo o país, tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado das doenças que afetam artérias e veias, com foco nas doenças cardíacas, especialmente o infarto.
“O infarto muitas vezes apresenta sinais prévios, como dor no peito, falta de ar, sudorese e cansaço extremo. Infelizmente, muitas pessoas ainda ignoram os sintomas e não procuram atendimento a tempo. Esse atraso no socorro pode ser fatal”, alerta o Dr. Ulisses Gianecchini, cardiologista do Grupo Santa Casa de Franca. “A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser evitada com hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular. O coração dá sinais, e precisamos aprender a ouvir”, completa o médico.
Entre 2019 e 2024, o número de mortes por infarto no Brasil aumentou 5,7%, de 73.283 para 77.477 óbitos. O pico foi registrado em 2022, com mais de 81 mil mortes, número que permaneceu elevado mesmo nos anos seguintes. Para os especialistas, o impacto da pandemia de Covid-19, com o aumento do estresse, do sedentarismo e do abandono dos cuidados médicos, pode ter contribuído para a piora do cenário cardiovascular no país.
Fatores de risco como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo devem ser combatidos com medidas simples, como uma alimentação equilibrada, a prática de atividades físicas, o controle emocional e consultas regulares com o cardiologista. “O coração é um órgão silencioso até o momento em que algo grave acontece. E quando o infarto chega, cada minuto é decisivo. Por isso, informação e prevenção são nossas maiores aliadas”, conclui o cardiologista.
Infarto em jovens
Embora a doença ainda seja mais comum a partir dos 50 anos, os registros de infarto entre brasileiros com até 30 anos cresceram significativamente nos últimos 15 anos. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), com base em dados do Ministério da Saúde, a média mensal de internações decorrentes de infarto subiu quase 160% no mesmo período. No entanto, entre jovens de até 30 anos, o crescimento foi 10% acima da média.
Entre os principais motivos estão o estresse crônico, a má alimentação, a obesidade, o sedentarismo e o uso precoce de cigarro, uso de drogas ilícitas e álcool. “Observamos uma geração que vive sob pressão constante, dorme mal, se alimenta de forma inadequada e muitas vezes negligencia sintomas importantes”, afirma o Dr. Ulisses. Para o especialista, o problema não está apenas nos números, mas na percepção de que o infarto é algo distante da juventude. “Essa falsa segurança atrasa o diagnóstico e dificulta a prevenção”, completa.
Sobre o Grupo Santa Casa de Franca
O Grupo Santa Casa de Franca, referência regional de urgência e emergência em média e alta complexidade, envolve três unidades hospitalares: Hospital Geral, Hospital do Câncer (Unidade Oncológica), Hospital do Coração (Unidade Coronariana), além de um Centro de Reabilitação com atendimento multidisciplinar.
A entidade também atua como OSS (Organização Social de Saúde) e administra os AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) das cidades de Franca, Casa Branca, Campinas, Vale do Jurumirim, São Carlos e Ribeirão Preto.
Sendo a única instituição de referência terciária do SUS em toda a região, atende a 22 municípios do DRS-VIII (Departamento Regional de Saúde), incluindo Franca – o que abrange uma população estimada em mais de 700 mil habitantes.