Franca, no interior de São Paulo, vive um momento que lembra o crescimento das academias nas capitais há alguns anos. Espaços dedicados ao treino físico se multiplicam pela cidade e atraem um público cada vez mais diverso.
O fenômeno acompanha uma tendência nacional: segundo dados do Panorama Setorial Fitness Brasil 2024, elaborado pela Fitness Brasil, em parceria com a EY e a Armatore Market + Science, o número de centros de atividades físicas cresceu quase três vezes no Brasil em dez anos.
O que muda agora é o perfil do frequentador. Antes, as academias recebiam, sobretudo, jovens em busca de estética. Hoje, pessoas acima dos 40 anos, idosos e quem quer controlar problemas como hipertensão ou diabetes dividem o mesmo ambiente. Para muitos, treinar virou mais do que uma questão de aparência. É um investimento na própria saúde.
Saúde e qualidade de vida em pauta
Profissionais de educação física em Franca apontam que o maior interesse por academias começou depois que médicos passaram a recomendar exercícios com mais frequência, especialmente para quem passa o dia sentado. Na cidade, em que a economia gira em torno do comércio e da indústria calçadista, é comum encontrar trabalhadores que passaram anos com uma rotina pouco ativa.
Cada vez mais pessoas acima dos 60 anos formam hoje uma das faixas que mais cresce no mercado fitness. O objetivo não é necessariamente ficar com o corpo definido, mas manter autonomia para tarefas simples, como subir escadas ou carregar compras. Esta mudança de mentalidade faz com que, nas salas de musculação, seja comum ver pais e filhos treinando juntos.
Movimento que vai além das academias
A explosão do setor fitness em cidades do interior mexe com outros mercados. Lojas de alimentação saudável, profissionais de nutrição e até pequenos estúdios de pilates surgem para atender a esta nova demanda. Em Franca, comerciantes relatam aumento na venda de suplementos, garrafas térmicas e acessórios esportivos.
Entre as mulheres, a prática regular de exercícios também mudou hábitos de consumo. O cuidado com a alimentação, com a rotina e até as roupas de treino feminina viram parte do estilo de vida. Peças específicas para musculação e aulas coletivas ganham espaço em vitrines, acompanhando o ritmo das novas alunas.
Um hábito que se incorpora ao dia a dia
Especialistas acreditam que esse crescimento veio para ficar. Academias com mensalidades acessíveis e aulas coletivas mais dinâmicas tornaram o ambiente menos intimidador para quem está começando. Em cidades como Franca, em que as opções de lazer antes se limitavam a praças, shoppings e bares, o treino passou a ocupar também um papel social.
Conversas antes restritas a cafés agora acontecem entre uma série de agachamentos e outra. Para muitos moradores, a academia deixou de ser apenas um local de exercícios e virou ponto de encontro. A tendência indica que, nos próximos anos, correr na esteira ou participar de um treino funcional será tão natural quanto caminhar pelo centro da cidade em um sábado de sol.