Por Pedro Maia
Editor-chefe
A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), em impor uma sobretaxa de 50% nas exportações brasileiras, se confirmada até 1° de agosto – quando as medidas passam a valer – vai abalar fortemente a indústria calçadista de Franca, podendo causar a extinção de cerca de 1,5 mil empregos.
78,3% das exportações para os EUA são provenientes da indústria da transformação, responsável por converter a matéria-prima em produtos acabados ou semiacabados. Estudos realizados sobre este “tarifaço” calculam que o impacto será bem intenso.
Números
Segundo dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) e do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), das exportações brasileiras de calçados para os Estados Unidos, nosso mercado passa de 1,3 bilhão de reais. Na comparação entre janeiro e maio de 2025 com o mesmo período em 2024, o Brasil cresceu quase 10%.
Nas exportações de calçados de Franca para o mundo, o município subiu 10% em valor e 14% em pares. Parte desta elevação é oriunda da significativa melhora do que foi exportado das ‘Três Colinas’ para a terra do ‘Tio Sam’: 21% em valor e 25% em pares. Isto leva a crer que, olhando o cenário nacional, o setor mais impactado será o francano.
Só as exportações de Franca para o mercado americano, caso se mantenha essa sobretaxa de 50%, vindo a limitar significativamente o volume de negócios com os EUA, a perda em dólares seria de US$ 15 milhões e, postos de trabalho, na ordem de 1,2 mil a 1,5 mil em toda a cadeia produtiva.
Em nota, o Sindifranca destacou a estimativa de exportações para os americanos neste ano, e fez um apelo pela diplomacia entre os países: “nossa estimativa de exportações em pares para o mercado americano este ano estava em torno de 700.000 pares – US$ 23M de dólares. Esperamos que os dois governos deixem as vaidades de lado e olhem os impactos socioeconômicos dessa canetada”.