José Celso “Bota” Ramos
Pelo professor e esportista
Venho refletindo muito sobre o basquetebol que se joga atualmente: o jogo também está desinteressante, abusando do individualismo. Coisa que na NBA já é monótono, imagina para nós brasileiros, que não temos a mínima condição técnica e física de um jogador da NBA. Estamos querendo jogar da mesma forma. Quem autorizou o jogador a ‘chutar’ dos três sem ninguém no rebote? Essa e muitas outras atitudes irresponsáveis, deixam as equipes sem consistência. Resultando num excesso de erros e violações.
Há 20 anos atrás era comum ver jogadores fazer mais de 30 pontos num jogo. Hoje jogadores que passam de 15 pontos são exaltados. Isso a meu ver vem perdendo a melhor coisa que o basquetebol representa: o valor do jogo coletivo; a essência do basquetebol está na famosa jogada de dupla.
A sintonia, o entrosamento e a perfeição do jogador que sabe jogar sem a bola. A beleza plástica de um passe (Assistência) que resulta em cesta. A defesa agressiva e colaborativa, o jogador que sempre privilegia o companheiro mais próximo da cesta, portanto numa clara vantagem de definição.
Enfim, acredito que já é hora de refletir como queremos jogar basquetebol.
Penso que tudo que conseguimos até hoje foi com um jeito simples e eficiente de jogar coletivamente. Se deixarmos de lado nossa velha e boa escolha de defender como ninguém, contra-atacar numa rapidez assustadora (portanto sem bater bola) e valorizarmos a posse de bola com armadores criando opções, serão mais eficientes. E não armando só para eles mesmo.
Temo que, se não fizermos esse resgate para ficar jogando individualmente como todos os times no Brasil, estaremos à mercê da boa e velha sorte, ou de um dia perfeito nos ‘chutes’ em arremessos de longa distância. [Bota]