A Polícia Civil do Estado de Goiás, com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), realizou, nesta quinta-feira (22), uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada no “Golpe do Falso Intermediário”, uma forma de estelionato que tem lesado vítimas em todo o país.
Policiais Civis dos estados de Mato Grosso, Santa Catarina e São Paulo auxiliaram no cumprimento de 78 mandados de busca e apreensão, além de 77 mandados de prisão. Ainda, 1.776 contas bancárias foram bloqueadas, que totalizam R$ 663 mil. No Estado de São Paulo, mais especificamente em Ribeirão Preto, o GOE (Grupo de Operações Especiais) de Franca, sob comando do delegado Dr. Gabriel Fernando, participou da ação.
A operação foi batizada de Broker Phantom, com alusão aos termos do inglês “Broker” (intermediário) e “Phantom” (fantasma), fazendo referência a criminosos que atuam como falsos intermediários nas vendas online. Foram apreendidos diversos dispositivos eletrônicos, dinheiro, aparelhos celulares, documentos e outros itens que auxiliarão na continuidade das investigações.
Golpe do Falso Intermediário
“O golpe do falso intermediário é um crime complexo que exige um trabalho de inteligência para ser desvendado de maneira uniforme. Os criminosos exploram a confiança das vítimas. Esta operação é um passo fundamental para combatê-los e proteger a população de prejuízos financeiros significativos. Continuaremos trabalhando para apoiar as polícias civis a identificar e prender todos os envolvidos nesse tipo de fraude”, afirma o diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do MJSP, Rodney Silva.
A investigação identificou uma organização criminosa interestadual especializada em enganar pessoas por meio de plataformas de comércio eletrônico. O modus operandi da organização envolve a criação de perfis falsos utilizando nomes e fotos de produtos recorrentes para enganar as vítimas. Eles utilizam cadastros de terceiros e números de telefone com códigos de área diferentes de sua real localização, informando dados falsos para as vítimas para justificar a não apresentação pessoal dos bens.
O objetivo principal do golpe é clonar anúncios legítimos, geralmente de veículos seminovos anunciados, criando novos anúncios com preços atrativos abaixo do mercado. Membros da organização se passam por um intermediário confiável, com o objetivo de induzir a vítima a realizar transferências de dinheiro para contas bancárias controladas pelos criminosos, sob a alegação de que é um adiantamento, sinal ou pagamento final da transação.
Prejuízo das vítimas
O prejuízo patrimonial total estimado das vítimas atinge valores significativos, com um total estimado de R$ 1,8 milhão relacionado a 144 anúncios publicados, por meio de 43 contas falsas em plataforma de e-commerce.
“A investigação demonstrou a existência de uma organização criminosa com atuação interestadual, especializada em estelionato através de ‘engenharia social’ em plataformas de vendas online e lavagem de dinheiro. Foram identificados os núcleos principais (um responsável pela ‘engenharia social’ e liderança, e outro financeiro e operacional) e o complexo modus operandi utilizado. A análise financeira revelou a vasta rede de contas bancárias empregadas e a movimentação ilícita de expressivos valores. As evidências coletadas corroboram os fortes indícios da prática criminosa reiterada cometida pelo grupo”, declarou Thiago César de Oliveira Silva, Delegado de Polícia Civil de Goiás.
**Com informações do portal GOV.br