Estar alinhado com os direitos humanos e com as chamadas pautas ASG (Ambiental, Social e de Governança) pode ser um diferencial para as empresas interessadas em serem fornecedoras da Petrobrás. O tema foi um dos destaques do evento “Oportunidades de Negócios e Qualificação de Fornecedores para a Petrobrás”, que reuniu cerca de 200 empresários em São Paulo e teve, em sua abertura, a presença de Rafael Cervone, presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e 1º vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Em seu discurso, Cervone disse que é muito importante estimular as indústrias a fornecerem para a Petrobrás, não apenas pelo volume de negócios gigante, mas também por ser uma empresa com padrão de gestão de nível global. “Conquistar a credencial de fornecedor da Petrobrás pode facilitar e incentivar o acesso ao mercado internacional”, destacou o presidente do Ciesp. Hoje a Petrobrás é a maior empresa do Brasil, com um faturamento de R$ 512 bilhões no ano passado.
Cervone lembrou ainda que o Plano de Negócio da empresa em 2025 prevê investimentos de US$ 111 bilhões, o que representa um aumento de 34% em relação a 2024. O evento trouxe apresentações do Senai-SP, do Sebrae-SP e da Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo). Alexandre Gomes Alves, gerente executivo de suprimentos da Petrobrás, e Rodrigo Abramof, gerente executivo de tecnologias de refino da Petrobrás, também compuseram a mesa de abertura do evento.
Perfi do fornecedor
O gerente geral de Relacionamento com o Mercado Fornecedor da Petrobrás, Márcio Pereira, explicou que a empresa opera com muita transparência e que todas as licitações são públicas. Ele disse ainda que a empresa está aberta a ouvir os fornecedores sobre o nível dos requisitos e eventuais dificuldades que o mercado tenha para cumprí-los. Para ele, é fundamental que os fornecedores interajam e se manifestem sempre que os requisitos estiverem muito distantes da realidade de mercado.
“Nós temos uma responsabilidade operacional muito grande. Pense em uma válvula sendo instalada em uma plataforma de petróleo, pense em um permutador de calor sendo instalado em uma refinaria. A questão da segurança operacional nos exige questões técnicas que são intransponíveis, mas por vezes a gente exagera e com o feedback de vocês, podemos chegar a um termo mais justo para o mercado”, disse Márcio.
Por outro lado, o gerente explicou que a Petrobrás não abre mão da questão dos direitos humanos entre seus fornecedores, por exemplo. Segundo ele, a empresa não tem interesse em trabalhar com empresas que não respeitem os direitos humanos. “Esse é o recado que eu sempre dou de forma muito forte e direta porque direitos humanos não é mais um requisito adicional. Ele está ali como um pilar, assim como conformidade em segurança, direitos humanos é fundamental”, afirmou Márcio.
Estado de São Paulo
Hoje o estado de São Paulo opera 47% do petróleo produzido nacionalmente. O estado é responsável por 45% do refino de combustíveis e por 20% da demanda de gás natural. Somente no ano passado, a empresa investiu R$ 20 bilhões em bens e serviços no estado de São Paulo. As empresas paulistas são as maiores em fornecimento de máquinas e equipamentos para a Petrobrás. Os fornecedores operam, por exemplo, com equipamentos e serviços de SMS, instrumentação e automação, válvulas, manutenção e reparo. As grandes fornecedoras da Petrobrás, por sua vez, também precisam de produtos e serviços como, por exemplo, tubos, conexões, computadores, alimentação, lavanderia.
10 Dicas para ser Fornecedor da Petrobrás