A Páscoa, no processo de desenvolvimento histórico, foi instituída pela Igreja Católica durante o Concílio de Niceia, a primeira reunião convocada pelo então Imperador Constantino para resolver disputas teológicas em 325 d.C.
Atualmente, embora mantenha o mesmo significado no sentido religioso, a Páscoa também tornou-se um feriado importante em termos de macro e microeconomia, movimentando o mercado em suas múltiplas escalas.
Partindo da macroeconomia, por exemplo, considerando o território nacional em sua totalidade, de acordo com estudo realizado pela Confi Neotrust, em parceria com mais de 5.000 empresas que operam no segmento de comércio eletrônico, as vendas de bombons, chocolates e ovos de Páscoa em 2024 totalizaram R$ 107,5 milhões.
Esse valor representa, portanto, um aumento de 8,1% em relação ao ano de 2023. Além disso, desse montante, os ovos de Páscoa corresponderam a 59,1% do total das vendas, equivalente ao valor de R$ 63,6 milhões.
A pesquisa também apontou que o gasto médio por ovo de Páscoa aumentou de R$ 52,90 por produto em 2023 para R$ 66,60 em 2024, um aumento de 25,9%. Para 2025, conforme a Associação Brasileira do Comércio de Artigos para Festas e Correlatos (ABRAFE), a expectativa de crescimento das vendas é de 9,45% em relação ao ano passado.
Qual é o impacto econômico da Páscoa no varejo?
Partindo da microeconomia, sem dúvidas, a tradição de presentear entes queridos com ovos de Páscoa possui forte influência no aumento das vendas de chocolates no período pascal.
No Brasil, conforme dados de 2024, quatro estados concentram a maior fatia das vendas relacionadas à Páscoa, sendo eles, por ordem: São Paulo (R$ 948,08 milhões), Minas Gerais (R$ 352,57 milhões), Rio de Janeiro (R$ 243,19 milhões) e Rio Grande do Sul (R$ 194,18 milhões).
Conforme a pesquisa realizada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG), embora os valores dos ovos de Páscoa estejam mais elevados em todas as regiões do Brasil, em Minas Gerais, por exemplo, 44,4% dos consumidores inseridos nos 90% que consideram os preços altos estão dispostos a incluir o item em suas compras na data comemorativa.
Ainda em concordância com o estudo, o lugar preferido para comprar os itens de Páscoa são os supermercados/hipermercados, com 39,5% da preferência. Posteriormente, aparecem lojas de bairro (30,2%), shoppings (14%), internet (7%), centros comerciais (4,7%) e restaurantes (2,3%).
É importante compreender, também, que a movimentação em termos de microeconomia não ocorre somente na relação de compra e venda entre o consumidor final, ou seja, aquele que adquire um produto para dar a alguém, mas também com os próprios produtores.
Acontece que, no cenário atual, existe um crescimento de pequenos negócios no setor de confeitaria artesanal. Nesse sentido, muitos desses empreendedores acabam recorrendo a lojas especializadas para adquirir matéria e insumos para fazer os seus produtos, como ovo de Páscoa, bombom, entre outros – movimento que também influencia na dinâmica monetária na microescala.
No ano passado, por exemplo, conforme apontou levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, 76% dos brasileiros optaram por adquirir ovos de Páscoa artesanais. Esse movimento deve se repetir este ano, considerando as dinâmicas de preço.
No fim, a Páscoa representa uma oportunidade de empreendimento para os comércios locais, especialmente para supermercados e confeitarias que preparam os itens de Páscoa de forma artesanal.
Observando as tendências dos últimos dois anos, mesmo com o crescimento dos preços, a tradição parece perdurar no sentido de haver esforço do consumidor em adquirir os produtos de Páscoa e, por consequência, movimentar as economias locais.