A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (9) Aparecida Donizeti, de 60 anos, suspeita de envenenar e matar ao menos 23 gatos no Centro de São Joaquim da Barra, interior de São Paulo. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça após o pedido das autoridades policiais, que alegaram o impacto social e o clamor por justiça causado pelo caso.
Aparecida foi localizada no distrito de Pioneiros, em Guará (SP), e será transferida para São Joaquim da Barra, onde permanecerá à disposição da Justiça. Segundo o delegado Gustavo Costa, responsável pelas investigações, a suspeita já foi formalmente indiciada.
“A investigação evoluiu, surgiram novos fatos. O sentimento de injustiça que pairava sobre a sociedade foi aumentando, causando uma grande desordem pública, abalando a paz social e até mesmo gerando descrédito aos trabalhos da Polícia Civil”, afirmou o delegado.
Em nota, o advogado Vinicius Magalhães, que defende a acusada, informou que solicitou acesso à decisão judicial para analisar se os requisitos para a prisão preventiva foram devidamente preenchidos. Ele não descarta a possibilidade de ingressar com um pedido de habeas corpus.
Gatos mortos e a busca por justiça
O caso ganhou notoriedade em dezembro, quando Aparecida foi intimada a depor na delegacia após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em sua residência. Na ocasião, ela optou por permanecer em silêncio e foi liberada.
Durante as buscas, policiais encontraram três gatos mortos entre o telhado e o forro da casa da suspeita, além de outros cinco que apareceram mortos em uma rua no bairro João Paulo II. Ao todo, 31 gatos morreram em um período de nove dias, e a polícia investiga se há relação entre todos os casos.
Os relatos de envenenamento começaram a ser registrados em novembro de 2024, quando protetores e tutores de animais denunciaram a morte de gatos de forma recorrente. Moradores apontaram a suspeita como responsável, alegando que ela demonstrava descontentamento com a presença de gatos no local.
Impacto social e legal
O caso reacendeu discussões sobre os direitos dos animais e a aplicação rigorosa da Lei 14.064/2020, que prevê penas de até cinco anos de reclusão para crimes de maus-tratos a animais. A advogada Maysa Kaluf, especialista em Direito Animal, comentou a prisão:
“Essa decisão é um marco importante na luta contra a crueldade animal. Crimes como esse não podem ser tratados como simples ocorrências, pois geram impacto direto na comunidade e refletem a necessidade urgente de políticas públicas mais severas para a proteção dos animais”, afirmou.
A sociedade local, abalada pelos crimes, tem se mobilizado para cobrar justiça. Ativistas, ONGs e moradores têm promovido ações de conscientização sobre a proteção animal e alertado para a importância de denúncias rápidas em casos de maus-tratos.
Próximos passos
Aparecida Donizeti permanece presa enquanto o Ministério Público analisa a denúncia para dar prosseguimento ao processo. A investigação continua para esclarecer a relação entre todas as mortes registradas e garantir que os responsáveis sejam devidamente punidos.
O caso reforça a necessidade de maior vigilância e educação quanto aos direitos dos animais, destacando que atos de crueldade não serão tolerados pela sociedade ou pela Justiça.