Chico Pimenta e Esther Mina Policci, da Redação
Em um fim de semana dos mais quentes dos últimos vividos na região nordeste paulista, onde normalmente as noites têm clima ameno pelo sopro de ares mineiros da região limítrofe e o frescor das águas represadas na orla ribeirinha, a afiliada da Rede Globo de TV trouxe, no limiar do domingo, um debate político focado nas eleições em Franca, onde nove concorrem e a seleção de meia-dúzia para ilustrar o programa, teve um caldo morno, insosso, previsível e sem tempero (ou destempero como sói ocorrer na capital), mas também revelador e confirmando o que já se supunha nos bastidores.
Investindo milhões em autopromoção nesse canal nos quatro anos de mandato repetido e nada inovador, o prefeito atual A. Ferreira seria, naturalmente, o foco dessa promoção jornalística-eleitoral que vimos na TV ribeirão-pretana. Sem considerar o viés ideológico que ele nunca demonstrou, mas compõe com vereadores e siglas de todas as vertentes, observou-se ali o alvo preferido contra o deputado forasteiro Cortez que se diz ‘de Franca’, aqui vinculado só com a Unesp e pouco ou nada identificado com a cidade.
No seu discurso (de psolista) já conhecido, enfatizou a defesa da maconha e fez ataques premeditados à empresa de transporte urbano de passageiros. Ambos ‘debateram’ nada acrescentaram.
Combinações
A abertura logo foi reveladora: usando um estilo ‘blasé’ o alcaide dedicou loas à única mulher presente, a petista Mariana, com quem ‘trocou figurinhas e mesuras’ e a visão clara sem subterfúgios é de que estarão abraçados no returno dessa contenda. Sua pauta foi assumida pelo prefeito e assim ficaram amainados.
Os demais, como o médico e ex-deputado Dr. Ubiali têm consciência do caos que a saúde experimenta e, dentro de sua concepção é preciso ser do ramo para corrigir detalhes e reduzir as filas com as cirurgias eletivas, a partir de equipamentos e profissionais para atender em unidades básicas e prontos-socorros, problemas postergados no momento a 90, 150, 360 dias.
Consistentes
Restou então a firmeza de João Rocha, virtual concorrente para enfrentar, com sua visão reformadora e mais prática que teórica, esse prefeito desgastado, pontuando nos problemas graves as questões mais desastradas dos moradores de rua, falta de um projeto habitacional aos trabalhadores e, ainda, da busca por incentivo à recuperação econômica de décadas para socorrer a indústria calçadista, o enfraquecido comércio de rua no centro e bairros.
O candidato do NOVO, Alexandre Tabah tem consciência, preocupa-se também com a economia fragilizada, decadente e avaliou onde os problemas são minimizados pelo prefeito, tendo sugerido medidas proficientes como a Telemedicina e segurança escolar, encaminhamento de moradores de rua e a busca por mais emprego.
‘Fora da realidade’
A grande maioria dos telespectadores cochilou e até dormiu assistindo, ou foi se divertir no ‘cine privê’ da TV Band. Um debate que nada acrescentou, até previsível na pauta acadêmica do jornalismo ‘epetevense’ que não vive o drama real de Franca.
A expectativa de que pudesse acontecer uma acalorada discussão foi a marca prévia do debate, mas, na prática, nada acrescentou porque o conteúdo dissonante daquilo que os francanos vivem, num período de dificuldades econômicas e sociais, desgastes e incompetência de uma gestão decepcionante, num cenário sofrível que se vê desde 2021. É preciso mudar para melhor porque como está, não há como suportar nem tolerar um período tão ruim como hoje. Eleitores conscientes e atentos, vão escolher o sucessor do acomodado e perdulário A. Ferreira em 2025.