Um caso que ganha novos contornos. O 4° Departamento de Polícia Civil de Campinas registrou um boletim de ocorrência sobre a morte de Thales Gabriel Souza Peixoto, que teve seu óbito confirmado na madrugada do dia 15 de outubro de 2023 pelo hospital da Unicamp, local para o qual foi levado após colidir acidentalmente contra um poste, no dia anterior, 14, no Shopping Dom Pedro. A questão é que esta, até o momento, é a versão oficial do caso, no entanto, a empresária Margarete de Cássia, mãe de Thales, acredita não ter sido exatamente assim.
“Quem tirou essas conclusões de que a imagem foi cortada? Fomos nós mesmos, o advogado. Eu solicitei o perito. Só que esse perito que eu solicitei, ele é muito requisitado, é um dos melhores do Brasil e ele, pelo que eu senti, não quis se envolver. Temos uma testemunha que colocamos no processo, mas ela entra em contradição duas vezes. Por isso que eu decidi colocar [as imagens] na internet para ver se algum pessoas divulgam, para fazer uma pressão no Shopping, para que ele entregue a imagem dele batendo no poste”, declara Meg, como é conhecida.
Thales Gabriel trabalhava como entregador – o caso aconteceu durante seu turno de trabalho. De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima ao sair de uma coleta realizada no local mencionado, perdeu o controle de direção da motocicleta e, por razões desconhecidas, se chocou contra um poste de iluminação.
Gravação
De acordo com Margarete, no vídeo, seu filho estaria andando em velocidade normal e, o vídeo, em momento algum mostra o momento exato da colisão. “O poste não tem nenhum arranhado, aliás, nenhum amassado. O poste é da grossura do meu braço. A moto dele é super pesada. Se a moto tivesse pressionado ele no poste, a moto teria se destruído, e a moto está inteira. O poste não amassou nada, só a tinta que descascou”. E continua: “depois que eu fiz a homenagem para ele lá no Shopping, pintaram o poste, certo? E eu, desde o momento que eu cheguei no local, eu falei: ‘ele não bateu no poste'”.
“No laudo do IML aparecem lesões do lado esquerdo, nas costas, sendo que a direção que ele estava, e se ele realmente tivesse batido no poste, teria que ter batido de frente, e de frente mesmo ele não quebrou nenhum osso, e nem de costa, nem nas pernas, nada. Ele só lesionou os órgãos vitais”, relatou.
As únicas imagens disponibilizadas pelo Shopping Parque Dom Pedro eram aleatórias e que, consoante ao narrado pela empresária, não condiziam com o acidente, apenas a que um amigo passa e, em seguida, ele vem atrás. As imagens que a família realmente necessita, não foram entregues.
Conforme informado pela mãe da vítima, a área do acidente, que deveria ter sido isolada para trabalhos periciais, não foi. “O que mais me deixou indignada também foi que eles não isolaram, não chamaram a polícia, não interditaram, chamaram uma ambulância sem paramentos. O acidente aconteceu entre as 16h40 às 16h48. Essa parte do vídeo não existe no que eles mandaram para o juiz”. Segundo ela, as imagens enviadas teriam sido de um celular, onde era possível ver gente em volta. “Um bombeiro do shopping, somente um bombeiro, especializado em salvar vidas, não interditar o trânsito?! Chamaram uma ambulância, veio só o motorista e um enfermeiro, aí quando eles viram que o caso era grave, a segunda ambulância chegou. Eram 17h20!”
De Cássia segue: “As duas ambulâncias não são do shopping, foram chamadas de uma empresa. Eles não disponibilizaram ambulância do shopping, não disponibilizaram médico, não disponibilizaram enfermeiro, veio ambulância de fora. Eram 17h20 e ele já tinha tido uma parada cardíaca ali no local, tanto que ele foi entubado no local, quando eu cheguei, ele já estava dentro da ambulância entubado. E ele teve mais duas paradas até chegar no Hospital do Unicamp”.
Investigações
O laudo pericial expedido pela Superintendência da Polícia Técnico-científica Instituto de Criminalística consta que da direção e do sistema de freios, estavam operantes. As bandas de rodagem em regular estado de conservação. Quanto ao sistema elétrico incluindo luzes e buzinas, apontaram como operantes para todos, exceto a seta dianteira, em virtude dos danos. Vale lembrar que a moto tinha apenas dois meses de uso.
Segundo Meg, a Polícia Civil instaurou o inquérito para investigar os acontecimentos.
Posicionamento
O Jornal Verdade entrou em contato com a assessoria do Shopping Parque Dom Pedro para que emitissem um posicionamento a respeito dos fatos citados. No entanto, ainda não fomos respondidos. Atualizaremos a matéria no site caso recebamos um retorno.
**Atualização
Neste dia, 30 de abril, o Shopping Parque Dom Pedro respondeu a nossa solicitação, ao que disseram: “O shopping informa que as imagens foram disponibilizadas aos órgãos responsáveis pela investigação do caso.”