Desenvolvido pela USP (Universidade de São Paulo) e a Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), o ‘Game Arkos’ foi criado a fim de promover a leitura e a interpretação de textos por meio de jogos que consigam despertar essa vontade em seus usuários. Para se dar bem no jogo, que é semelhante a um RPG, o jogador precisa ler cada vez mais e, assim, diverte-se jogando.
Segundo o professor Alexandre Berbel, de uma família de quatro gerações de professores, o ‘Game’ é um negócio social: por um lado é produzido com fins lucrativos; por outro, busca eliminar alguns dos grandes problemas nacionais na educação, a não-leitura, o analfabetismo e o analfabetismo funcional.
“Nós temos uma situação terrível, que são milhões e milhões de crianças, todos os anos, saindo da escola sem saber ler e escrever, sem saber o básico. Então o ‘Game Arkos’ é uma ferramenta que proporciona livros, campeonatos de leitura, gamificação através de perguntas que favorecem a compreensão dos textos e, com essa ferramenta tecnológica, a gente consegue que as crianças saiam de um livrinho por mês para três, quatro, cinco livrinhos por mês. Então, sem precisar brigar, sem precisar forçar a criança a ler, com o prazer da leitura, ela evolui bastante e deixa a gente muito satisfeito em ver que é possível resolver um problema tão grave, ajudar a resolver, que é o problema da não-leitura”, disse.
Baseado em estudos
“Foi desenvolvido na Universidade de São Paulo, na USP, na incubadora de tecnologia chamada Cietec, e os sócios na época trouxeram para o Brasil um modelo muito bem sucedido na Alemanha. Então, ele teve um benchmarking de um modelo alemão e com os estudos desenvolvidos junto à universidade, junto à incubadora de tecnologia, surgiu um game com uma cara nossa, com as línguas latinas, o português, o espanhol e depois o inglês também. O game não estaria tão bem, tão sólido esses anos todos, se não houvesse uma contribuição bastante efetiva. A gente vê isso também pelas pessoas que acessam o site. Essa é a melhor prova!” Declara o educador sobre a plataforma, que já tem cerca de 12 anos de existência.
Aplicação do modelo
Barueri e Osasco são exemplos de locais em que o jogo apresentou bastante êxito. Segundo Alexandre, são mais de 30 mil crianças em Barueri que utilizam a tecnologia todos os meses. A modalidade foi implantada há mais de oito anos e faz parte de uma ferramenta da rede municipal de ensino. Em Osasco, o ‘Game’ foi refundado no Colégio Pestalozzi, com muitas famílias que o adotaram em prol de seus filhos. “O ‘Game Arkos’ tem IPs, que são os endereços eletrônicos, no Brasil inteiro. Então é uma ferramenta que tem se mostrado muito boa de maneira generalizada geograficamente”, destaca Berbel.
Cases de sucesso
Questionado sobre os ‘cases’ de sucesso, o professor Alexandre Berbel destaca a aluna Bruna Francielli: “é uma garota que leu milhares de livros dentro da plataforma e ela despertou o seu lado escritora. Já publicou livros, já colocou livros na Bienal. Uma menina de escola pública, de família muito simples e que se tornou uma grande leitora e uma grande escritora, e ela foi campeã do ‘Game Arkos’. Então isso deixa a gente muito feliz! E dentro do Colégio Pestalozzi de Osasco, há muitas crianças que se tornaram grandes leitoras utilizando a plataforma. Não saberia citar nominalmente, mas são muitas crianças”.
O jogo educativo faz parte de um projeto muito mais amplo, o ‘Escolas Incubadoras’. “Ele é um financiador das Escolas Incubadoras e ajudou demais o Colégio Pestalozzi de Osasco a sobreviver à pandemia, e não fechou em função do apoio do ‘Game Arkos’. Eu, Alexandre Berbel, estou aqui em Franca definitivamente desde dezembro de 2021, por ocasião do falecimento da minha mãe, e eu trouxe o projeto ‘Escolas Incubadoras’ para Franca. Nós temos um grupo de empreendedores que tem cerca de 300 pessoas e estamos firmes e fortes avançando com o desenvolvimento de negócios sociais e ambientais, usando tecnologia, inovação e empreendedorismo. O ‘Game Arkos’ é um grande patrocinador desse projeto”, pontua.
Em Franca
Na cidade de Franca, a proposta tem recebido famílias, não tem nada público, nós temos muitas famílias que entram na plataforma, criam uma conta gratuita e começam a utilizar. Muitas vieram também da interação com as creches da LASEP (Liga de Assistência Social e Educação Popular).
“Ano passado, em 2023, eu tive a oportunidade de fazer várias palestras para os pais das crianças pequenas, das crianças de creche, da LASEP. São cinco creches aqui nas periferias de Franca e os pais receberam a conta gratuita. Nós temos já algumas ações isoladas, não temos nada institucional mais forte aqui em Franca, inclusive estamos buscando parceiros que queiram desenvolver esse trabalho para os seus colaboradores, para os seus alunos. Nós temos uma versão gratuita que pode ajudar demais qualquer pessoa em qualquer momento”, explica Alexandre.
Curadoria e distribuição
O ‘Game Arkos’ possui uma equipe de programadores e de professores. Esses especialistas estão sempre trabalhando na colocação de novos livros na plataforma, de novos quizzes também, que são as perguntas que levam à gamificação. A criança acerta as perguntas, ganha pontos e com isso ela participa dos campeonatos. Essa equipe está principalmente localizada em Araraquara e Osasco.
“São profissionais que leem os livros, produzem os quizzes, programam a plataforma para que esses livros e quizzes estejam disponíveis, e isso facilita muito todo o trabalho de distribuição, porque a distribuição é feita pela internet. Então, qualquer pessoa acessando o site pode criar uma conta grátis e ter acesso a até 12 livros por ano sem custo nenhum. Todo o trabalho é feito na plataforma, do mesmo jeito que o Google, do mesmo jeito que o Facebook, todas essas plataformas que estão na internet. Elas facilitam a vida do usuário, né? Facilitam a vida da família, do aluno, porque é só acessar a internet e ter acesso ao game”, esclarece o professor.
Considerações finais
“Uma preocupação muito grande nossa é com as crianças que saem analfabetas das escolas. Não é um problema da nossa cidade, não é um problema da nossa região, é um problema muito mais amplo, é um problema do Brasil e de muitos países subdesenvolvidos. Então, as crianças, elas passam 10, 15 anos dentro de uma escola e saem sem saber ler e escrever. Então, como resolver um problema desse? Porque imagina a situação, você colocando o seu filho no mundo sem saber ler e escrever. Como é que ele vai se virar? Como é que ele vai arrumar uma profissão? Como é que ele vai ganhar dinheiro? Como é que ele vai ser útil à sociedade se ele não tem o básico que é a leitura e a interpretação de texto?” Questiona Alexandre Berbel.
Para o educador, isso não é uma dor familiar, mas sim, uma dor nacional de grandes proporções. Ele cita ainda dados sobre o número de desempregos, especialmente entre os jovens de 16 a 25 anos, justamente porque terminam seus anos letivos sem a compreensão básica de leitura e interpretação de texto.
“A culpa não é simplesmente de um sistema de avaliação, de aprovação continuada, não é uma coisa tão simplória assim. Nós precisamos trabalhar com as crianças desde a educação infantil, na verdade desde o útero materno, para que essa criança chegue lá na frente com todas as suas condições. Então isso envolve a família, envolve a escola, envolve toda a comunidade. Agora, quem paga o pato? Quem sofre mesmo com esse problema? Quem vai pagar o ônus de tudo isso para o resto da vida é a família”, avalia.
Alexandre continua: “a família é a grande prejudicada, porque a família não vai abandonar, a família não vai excluir. Ela tem o ônus de carregar uma pessoa pouco produtiva para o resto da vida porque não foi feito um trabalho educativo a contento. A tem que tomar consciência de que sobra para ela o grande problema. O aluno é aluno da escola cinco anos, dez anos, mas ele é um membro da família para a vida toda. Então essa questão é muito séria, muito grave e se não houver uma conscientização das famílias com relação a isso, elas continuarão a se dedicar muito ao curto prazo, porque tem que almoçar, tem que ganhar dinheiro hoje, amanhã, e vão esquecer o médio e longo, que é a educação da criança. Então essa é a preocupação principal aí. Nós só vamos ter êxito com a leitura na hora que as famílias se conscientizarem de que o problema é muito grave e de que sobra para elas o ônus de tudo isso”.
Como acessar?
Para ter acesso ao game, basta acessar: gamearkos.com.br. Após, clicar em: ‘criar sua conta grátis’. Entre com um e-mail e com uma senha e está criada a conta. “Depois se ela quiser uma conta premium, ela pode pagar 20 reais por ano e terá acesso a uma plataforma maravilhosa com um número ilimitado de livros, livros em português, inglês, espanhol. A plataforma gratuita é limitada a 12 livros por ano e a plataforma premium é ilimitada”, lembra Berbel.