Dezenas de pessoas estiveram no plenário da Câmara Municipal de Franca na manhã desta quarta-feira, 07, em manifestação contra o aumento de quase 80% no salário dos vereadores. Mesmo sob protesto com gritos, apitos e cartazes, a maioria dos vereadores disse ‘sim’ e aprovou o reajuste e os valores passarão de R$ 6,1 mil para R$ 10,9 mil. Os novos salários são valídos para a legislatura de 2025/2028.
Precisando ser aprovado em duas votações, o projeto, de autoria da Mesa Diretora, foi votado logo no início da sessão extraordinária. A primeira aprovação do aumento aconteceu na manhã de segunda-feira, 05, também durante uma extraordiária.
Assim como aconteceu no primeiro dia, apenas o vereador Marcelo Tidy (União) foi contra o aumento. Os outros 13 votaram pelo reajuste e o presidente da Câmara, Claudinei da Rocha (MDB), não precisou votar.
Enquanto os vereadores votavam, gritos como “imoralidade”, “absurdo” e “irresponsáveis” eram ecoados pelos protestantes. A sessão chegou a ser suspensa por 30 minutos sendo retomada posteriormente para análise de outros projetos. As votações seguiram sob muitos protestos e manifestações com apitos e gritos.
“Analisamos como algo completamente imoral, apesar de legal. É injustificável esse valor aprovado, pois 80% é, segundo eles, corrigido desde 2012, mas em 2020 quando eles entraram já sabiam o valor que receberiam”, disse Sidney Elias, presidente da Udecif (União de defesa da Cidadania de Franca). “Outra coisa é a forma que o projeto foi apresentado. Aproveitaram o jogo do Brasil para apresentar na sexta-feira e votar na segunda, sem a devida transparência”, completou.
O presidente da Udecif reforçou ainda que o reajuste, que passa a valer apenas em 2025, poderia ser votado até o fim desta legislatura, sem necessidade de ser apresentando com dois anos de antecedência. “Eles anteciparam por dois anos contando com que a população esqueça o que aconteceu para eles tentarem se reeleger e se beneficiar desse próprio salário que foi aprovado agora”, finalizou Sidney Elias.
Ex-candidato a vereador e parte da diretoria do Coletivo Arco-íris, que presta serviços para a comunidade carente, Eduardo Valentino também esteve no plenário e se declarou contra o aumento nos termos em que o mesmo foi realizado. “Eu acredito que no formato que foi realizado, caladinhos, sem alarde e discussão com a população, é errado. Não sou contra o aumento, mas a forma. Aumentar 80% enquanto temos muitas famílias passando fome, enquanto temos inúmeras famílias em situação de vulnerabilidade na nossa cidade é errado. Essas pautas precisam sim ser discutidas, mas não agora.”



