Uma semana após o evento que oficializou sua pré-candidatura a deputado federal pelo União Brasil, o engenheiro agrônomo Fábio Meirelles Neto anunciou a desistência de disputar as eleições de 2022.
Os principais motivos para a decisão são a falta de apoio financeiro do partido e grande número de candidatos, que reflete na pulverização de votos e reduz a chance de eleger alguém. “Eu entendo que para sairmos candidato, nós precisávamos de uma parceria robusta com o nosso partido, o que neste momento não foi possível. Sair candidato por vaidade, sair por sair, não seria correto, nem com a cidade, nem comigo. E eu acredito que a nossa região precisa verdadeiramente de um deputado federal e alguns deputados estaduais que trabalhem por nossa região.”
Confira a entrevista exclusiva ao Verdade que ele concedeu neste sábado para explicar a desistência. “Esse não é um adeus à política, é apenas um até breve, buscando novas condições de representar a nossa região. Aos amigos, aos nossos parceiros, eu agradeço a lealdade até agora.”
Fábio, uma semana após oficializar a sua pré-candidatura a deputado federal, você anuncia a desistência de disputar essas eleições. O que motivou esta decisão?
Eu abro mão dessa candidatura em favor da cidade e da Alta Mogiana. Um dos motivos é que nós precisaríamos de uma parceria robusta com o partido e que, neste momento, não foi possível. Além disso, pensando na cidade, o número de candidatos com o fim da coligação partidária pulverizou demais, independente se o candidato tem ou não condição de vencer as eleições e de ajudar o município. Os partidos, com o fim da coligação, lançaram diversos candidatos, o que não é benéfico para Franca e nossa região.
Estando no União Brasil, partido criado recentemente a partir da fusão do PSL e DEM, como ficaria a sua situação na região caso oficializasse a sua candidatura a deputado federal? Quantos concorrentes teriam? Vocês já tinham esse panorama?
O que a gente vê nos jornais é que só de outros partidos teriam em torno de 16 candidatos. Nós temos candidatos do nosso partido muito próximos de nós aqui na região da Alta Mogiana, competindo conosco internamente. Além da falta de apoio por questões de aparição e por questões de recursos também que não seriam possíveis na nossa candidatura. Também em relação ao partido, existem as questões de cotas (para distribuição de verbas) e as questões também que o partido não vai lançar chapa completa. Então, às vezes pode até gerar alguma dúvida, mas não é isso, há vagas, a chapa não está completa, está com 58 nomes para deputado federal, de possíveis 71. Mas, assim, a chapa não está completa e eu não entro nas questões da cota, então isso daí eu acredito que interfere também na nossa decisão.
O União Brasil tem um número expressivo de candidatos!
Sim. Em 33 partidos, não há 95 candidatos a estaduais e 71 candidatos federais por partido. Então, eu acredito que nessas eleições os partidos pequenos vão deixar de existir, o que é benéfico. E sou a favor também do voto distrital puro, para que não fique essa briga no estado inteiro, cada um trabalha sua região. É importante também que se diminua, em torno de 50%, no mínimo, o número de partidos existentes.
Fábio, você fala que o seu propósito era entrar na disputa eleitoral para ganhar, por você, é claro, a gente não elimina isso, mas pela cidade também. Era a sua meta?
Sem sombra de dúvidas, nós entramos porque acreditamos que nós tínhamos condição de sair vitoriosos se tivéssemos um mínimo de apoio possível do partido. Como não foi possível esse apoio, a gente entende que a campanha acaba perdendo a sua robustez. É uma campanha regional, até a nível estadual, não é só Franca, nós sabemos que precisamos buscar votos em outras cidades, em outras regiões e o apoio do partido é necessário para isso.
Você disputou as eleições como candidato a vice-prefeito em Franca juntamente com o João Rocha e vocês conseguiram a terceira colocação nas eleições de 2020. Foi a sua estreia na disputa política. Como é a sua ligação com esse meio?
Olha, eu sempre acompanhei a política dos bastidores, tanto a política partidária, como a política sindical, ligada aos sindicatos rurais e à Federação da Agricultura, no qual meu avô (Fábio Meirelles) é presidente, então, eu sempre gostei de participar dos bastidores. Quando eu fui convidado a participar da política, de ser candidato, de dar a cara na política, eu já tinha ali mais ou menos um pouco de conhecimento de como era feita política. E eu entendo que nossa cidade, no vazio de nomes que havia naquele momento, nós precisávamos dar uma opção para a cidade, diferente daqueles que sempre estavam se candidatando. E gostei da política, entendi um pouco mais da política e acredito que temos que continuar na política para melhorar a vida dos mais pobres da nossa região.
O que te motivou a tentar uma vaga na Câmara Federal?
Eu sempre falei que uma política bem feita é a melhor forma de ver melhorar a vida dos mais pobres. E a nossa cidade perde muito em representatividade, em políticas públicas e recursos pela falta de um deputado federal aqui da nossa região, que more na nossa região. Então eu acredito que com os relacionamentos que nós temos em Brasília, nós já construímos uma rede de relacionamento lá, meu pai mora em Brasília há mais de 30 anos, nós temos escritório em Brasília, então nós acreditamos que nós tínhamos uma condição de representar bem a nossa região. Há 11 anos, nós não temos um deputado federal por Franca e neste momento não ter um deputado federal, com esse número de emendas que têm sido enviadas como emenda de relator, a cidade perde muito. Mas a decisão de não disputar as eleições neste momento não é um adeus à política, é apenas um até breve, buscando novas condições de representar a nossa região. Aos amigos, aos nossos parceiros, eu agradeço a lealdade até agora.