Nelise Luques
O encantamento pela história de Santa Rita acompanha o padre Michel Pires desde a infância e a relação com a conhecida santa das causas impossíveis se intensificou atualmente ao assumir como reitor o Santuário Diocesano de Santa Rita.
Inaugurado em 22 de maio de 2022, o santuário fica em Cássia-MG e, estima-se, que em dois meses de funcionamento tenha recebido mais de 200 mil visitantes. Devotos francanos fazem parte dessas estatísticas. “Quase todos os dias, temos pessoas de Franca participando das celebrações e visitando nosso Santuário. O francano já é de casa, tem portas sempre abertas”, afirmou padre Michel.
O santuário foi construído em uma área de 180 mil metros quadrados e o templo tem capacidade para acolher sete mil pessoas (5 mil sentadas e outras 2 mil em pé). O complexo conta ainda com centro comercial, um velário e a réplica da casa que Santa Rita morou com os pais, além de um estacionamento para 200 ônibus e mil carros.
O Santuário Diocesano de Santa Rita funciona diariamente das 8h às 20h e tem missas de segunda a sexta-feira, ao meio-dia e 18 horas, e aos sábados e domingos, em três horários: 10h, 15h e 18h. Toda quinta-feira, acontece a Quinta Eucarística com exposição do Santíssimo Sacramento das 13h às 17h. E todo dia 22, dia votivo de Santa Rita, são realizadas celebrações às 10h, 15h e 18h.
Em entrevista ao Verdade, padre Michel fala sobre o projeto e a experiência frente ao Santuário de Santa Rita. Confira. “O contato com as pessoas tem me inspirado a trabalhar ainda mais para que o Santuário se fortaleça na acolhida dos peregrinos”.
Para começarmos, gostaria de saber como nasceu a relação do senhor com Santa Rita?
Desde criança, sempre participei da Igreja, em Itamogi, a cidade onde nasci, e ouvia as pessoas comentarem sobre Santa Rita, sua vida e o jeito que ela viveu a fé. Com o passar do tempo e ao responder ao ministério sacerdotal, tive a oportunidade de aumentar meu conhecimento e minha proximidade com o testemunho de fé de Santa Rita. Ela sempre foi uma das santas que me inspiram por sua vida ser uma resposta diante do sofrimento da humanidade. E, agora, sua presença em minha vida tem se tornado cada vez mais forte.
Gostaria que nos falasse um pouco sobre a história de Santa Rita, porque é conhecida como a santa das causas impossíveis e das rosas.
Santa Rita foi uma mulher italiana que se tornou um modelo de perseverança e amor, por ter se dedicado à sua família e depois à vida religiosa. Vivendo a experiência dolorosa de ser esposa e mãe, ela demonstra a capacidade de servir a Deus, mesmo quando as dores da vida foram intensas, ela se manteve fiel às situações da vida. Depois de viúva e da morte de seus dois filhos, ela inicia uma nova fase no convento, vivendo como freira, sua vocação desde a infância. O povo de Deus a chama a Santa das Causas Impossíveis justamente por sua intercessão generosa e por conseguir os sinais de Deus por seus devotos. Símbolo marcante da história de Santa Rita são as rosas, milagre acontecido em sua vida, quando uma roseira floresce no inverno rigoroso da Itália, assim a rosa, acompanhada com os espinhos, torna-se o sinal sublime de que a perseverança da fé vence os espinhos e nos permite ver a beleza das pétalas.
Cássia foi presenteada com o Santuário Diocesano de Santa Rita. O senhor participou da idealização do Santuário? Como é ver o projeto tão grandiosos concretizado?
Quando fui convidado a assumir o trabalho à frente do Santuário, as obras e o projeto já estavam bem adiantados, mas foi uma alegria participar e me envolver neste sonho concretizado. Quando cheguei, mesmo perto da inauguração, havia muito o que ser feito, mas com a graça de Deus, o esforço valeu a pena, pois foi uma grande festa que emocionou a todos que aqui vieram. Hoje, vejo como um sinal de Deus as vidas transformadas por esse presente oferecido à Cássia e a todos os devotos de Santa Rita.
O Santuário foi inaugurado em maio deste ano. Quantos fiéis já visitaram o local? Como o senhor avalia os primeiros meses de atividades?
Exato, no dia 21 de maio, aconteceu a celebração de bênção do Santuário pelo bispo diocesano e no dia 22 já acolhemos todas as celebrações do dia de Santa Rita, elevando nossa gratidão a Deus pela intercessão de nossa padroeira. Estimamos que mais de 200 mil pessoas já estiveram no Santuário em dois meses de funcionamento. Aos domingos, acolhemos em média 3 mil fiéis, vindos de cidades da região, como Passos, Franca e Ribeirão Preto, mas já estiveram conosco fiéis até de outros países. Já foram momentos de muita espiritualidade e de encontro de fiéis de muitos lugares que se unem pela fé em Jesus Cristo e, é claro, para agradecer à Santa Rita.
É um período curto de existência, mas intenso. Que experiências o senhor pode compartilhar que já teve ou presenciou no Santuário de Santa Rita?
Com toda a certeza, o Santuário tem se revelado um espaço de bênçãos e de muitas histórias de gratidão pelas inúmeras graças que o povo de Deus alcança pela intercessão de Santa Rita. São muitas histórias emocionantes e fortes que confirmam a generosidade de Deus em atender os pedidos de seus filhos. Cada fiel que vem experimenta a beleza de confiar a Deus sua vida. Já ouvi testemunhos tão profundos que não consegui conter as lágrimas de emoção diante da pessoa. O contato com as pessoas tem me inspirado a trabalhar ainda mais para que o Santuário se fortaleça na acolhida dos peregrinos.

Um dos locais mais apreciados pelos visitantes é a réplica da casa de Santa Rita. Muitos fiéis se emocionam ao ter essa “imersão” no espaço que reproduz o lar onde ela viveu. O que o senhor destaca sobre esse ponto do Santuário?
Foi um trabalho que valorizou cada detalhe da arquitetura e dos móveis que haviam na época, foi realizado um estudo dedicado para que os fiéis pudessem perceber a simplicidade da época e o modo como Santa Rita viveu. Isso nos aproxima ainda mais da história de nossa santa que emociona tantas pessoas.
Franca inaugurou em fevereiro deste ano seu primeiro Santuário Diocesano de Santo Antônio. É nítido o avanço e valorização do turismo religioso na região e no Brasil como um todo. Quais os planos do Santuário para atender o público, inovar e expandir?
Pretendo, em breve, conhecer o Santuário de Santo Antônio e lá rezar com os padres e os fiéis. Aqui, em Cássia, temos mantido uma rotina diária de atendimentos e celebrações, especialmente de acolhida para aqueles que nos têm visitado. Estamos avaliando e organizando cada espaço e cada horário para que os fiéis se sintam em casa. A proposta é acolher com o maior carinho para que o devoto queira voltar mais vezes para rezar com a gente. Em breve, divulgaremos uma agenda de eventos no Santuário e já está disponível o agendamento de romarias. Esperamos que todos possam conhecer o maior santuário dedicado à Santa Rita, em todo o mundo.

Sabemos que o Santuário tem sido destino de muitos francanos. Qual a relação do novo espaço com a cidade de Franca?
Os irmãos francanos sempre tiveram um carinho muito especial com Santa Rita e mesmo com Cássia, muitos têm casas e até família na cidade. A proximidade faz com que a nossa fraternidade seja ainda maior. Quase todos os dias, temos pessoas de Franca participando das celebrações e visitando nosso Santuário. O francano já é de casa, tem portas sempre abertas.