Ex-ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro e pré-candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) cumpriu agenda em Franca desde sexta-feira (17). Seu primeiro compromisso oficial na cidade foi uma reunião com empresários do setor coureiro-calçadista no Curtume Boi Santo.
No sábado (18), momentos antes do início do Encontro Regional do Republicanos, Tarcísio concedeu entrevista à imprensa, em que tratou sobre prioridades para Franca e região, privatizações e a construção de um novo hospital na cidade, projeto anunciado pelo atual governo com investimentos previstos no valor de R$ 230 milhões.
O que Franca e região podem esperar de um eventual governo do senhor?
Primeiro, pode esperar incentivo regional, eu acho que a desigualdade regional tem que ser combatida com incentivos regionais. A gente tem acompanhado durante algum tempo um processo de desindustrialização no Estado de São Paulo, a gente vem perdendo espaço. Franca era para ser um grande polo calçadista, está perdendo indústria para outros Estados, isso muito em função da guerra fiscal. Então, eu acho que a gente tem que mexer nas alavancas da reindustrialização, principalmente a questão tributária, ter uma reformulação, para que a gente possa trazer os empregos de volta. A gente ter esse polo calçadista que pode gerar muitos mais empregos do que está gerando, pode exportar muito mais calçados do que está exportando, sem falar nas outras indústrias, a indústria de lingerie, tenho certeza que tem um potencial grande pela frente, investindo na infraestrutura, revendo a questão tributária, investindo em capacitação profissional, que é fundamental.
E outras prioridades do governo do senhor, caso seja eleito?
Sem dúvida nenhuma, saúde, segurança pública e educação são as grandes prioridades, que é aquilo que mexe com o cidadão, com quem está na ponta da linha. A gente percebe um anseio das pessoas por um atendimento de saúde melhor, as pessoas que estão aí há muito tempo nas filas, sem clareza de quando serão atendidas, esperando procedimentos, esperando exames. As pessoas também não suportam mais a falta de segurança pública e precisam de uma educação de qualidade, uma educação voltada para resultados. E, obviamente, a gente só vai conseguir melhorar essas áreas se nós valorizarmos os profissionais que atuam nelas, então isso é uma coisa fundamental.
Tarcísio, falando sobre saúde, está anunciado um novo hospital estadual para Franca. Qual a sua opinião sobre este novo equipamento?
Acho que a gente tem que pensar em como atender melhor o cidadão e como aplicar melhor o recurso. Veja, o hospital regional pode ser uma saída? Até pode, mas agora vamos olhar com carinho para a Santa Casa, será que nós não podemos, aplicando menos recursos e de uma forma mais rápida, disponibilizar mais leitos de UTI, disponibilizar mais leitos, diminuir filas, melhorar o tratamento oncológico, fazer com que as pessoas não tenham que se deslocar daqui para outros Estados? Por exemplo, qual é o valor do investimento da ampliação que está prevista para a Santa Casa? Então, a gente tem que ver na perspectiva financeira o que vai trazer melhor resultado para o cidadão. O que a gente está se propondo é sempre olhar essas questões. Você tem muitos leitos desativados em todo o Estado como um todo e você tem todo o sistema de filantropia sofrendo com asfixia financeira, então um alívio financeiro para este sistema, de imediato, libera uma quantidade grande de leitos, melhora o atendimento de alta complexidade para o cidadão de Franca. Então, acho que é essa a questão: se a gente verifica que o hospital é uma necessidade, que realmente a Santa Casa é insuficiente, ótimo! Vamos partir para isso também. Agora tem que ver como a gente aplica o recurso, de maneira a dar resposta imediata ao cidadão, então se a resposta imediata vem da ampliação do serviço que vem pela Santa Casa, que já está instalada, esse é o melhor caminho, essa é a questão que a gente tem que analisar.
Tarcísio, falando sobre saneamento básico, o senhor chegou a falar sobre uma possível privatização da Sabesp.
Olha, é uma empresa em bolsa, é uma empresa que tem excelentes profissionais, que prestam um excelente serviço. Privatização não pode ser fetiche, você não pode fazer privatização por fazer. Privatização tem que levar a um ganho de eficiência, a um aumento de investimento, à redução de tarifa. São Paulo ainda vive o fantasma da insegurança hídrica, então nós temos várias regiões do Estado que ainda sofrem com falta de água vez por outra e isso prejudica a economia, prejudica as pessoas de maneira geral e prejudica muito o agronegócio. A gente tem que verificar o seguinte: qual é o cenário que vai trazer mais investimento, que vai reduzir tarifa, que vai dar segurança hídrica, porque vamos aumentar por exemplo reuso de água, vamos diminuir perdas, vamos investir em sensorização, então se o cenário for da empresa privada, eu acho que faz sentido a privatização. A gente tem uma situação, por exemplo, de custo operacional da Sabesp maior que o custo operacional regulatório e quando isso acontece o acionista está perdendo valor, está perdendo dinheiro e a empresa começa a ter dificuldade para se financiar. Essas coisas a gente tem que botar na mesa, se for bom para o cidadão, o caminho da privatização é o caminho a ser seguido.