Fernando Lima
No seu quinto mandato como deputada estadual, Beth Sahão visitou Franca nesta semana, a parlamentar esteve no Jornal Verdade onde concedeu entrevista. Entre vários assuntos, Sahão contou que está otimista com o futuro do país e que o PT chega fortalecido em 2022.
A psicóloga também destacou que luta pelos direitos das mulheres e levanta a bandeira da Educação. Confira a entrevista:
De todos estes anos que a senhora está na ALESP, o que destacaria do seu trabalho?
É difícil a gente pontuar aquilo que é melhor, que foi o mais impactante. Na verdade, eu tive vários projetos que tiveram impactos importantes, como por exemplo o parcelamento do IPVA em dez vezes. Esse foi um projeto que eu considero interessante porque todos os impostos você pode parcelar, o IPTU você parcela em dez vezes, o ICMS, o ISS, você pode parcelar, você negocia e o IPVA não. Ele coincide no início do ano com outras responsabilidades e pagamentos, o que acaba sobrecarregando o orçamento doméstico. A gente lutou muito para isso, os sucessivos governadores vetaram, mas agora recentemente o próprio governo já mandou um projeto de parcelamento. A gente não pode deixar de destacar que o IPTU do estado de São Paulo é dos mais caros do Brasil, se não o mais caro. Isso faz com que o estado perca receitas, porque muita gente embora seja proibido, acaba fazendo o licenciamento de seus veículos em outros estados vizinhos nossos, como Minas Gerais. Outra coisa que eu destacaria muito é a luta para zerar os impostos sobre medicamentos, além do funcionamento das delegacias de defesa da mulher por 24 horas, esse foi um projeto aprovado por unanimidade na assembleia, mas o Doria acabou vetando. Duas leis que eu destacaria também é a que obriga o governo a colocar alimentos orgânicos na merenda, melhoraria muito a saúde das nossas crianças e também ajudaria esse importante segmento da agricultura. Por fim, aquele que cria a a lei estadual de enfrentamento ao câncer de mama, esse também é uma coisa que a gente trabalhou muito, nós conseguimos que o governo instale mamógrafos e crie uma campanha permanente de atendimento às mulheres, sobretudo aquelas que já passaram dos 40 anos de idade.
A senhora também já atuou como professora na rede estadual de ensino. O que a pasta da Educação poderia esperar de um eventual novo mandato seu?
Eu espero sinceramente que esse novo mandato seja acompanhado também de um novo governo, que priorize a educação. O nosso partido tem um pré-candidato que foi ministro da Educação e cujas ações foram fundamentais para melhorar a educação no país. Claro que como nós sempre tivemos muito atrasados nessa área, muito que se faz ainda é pouco para poder atingir níveis que nós precisaríamos atingir. Aí veio o governo Bolsonaro que já teve várias trocas de ministros, cada um com políticas diferentes, agora tem essa história do home schooling que eu acho um absurdo. A educação não é só a formação do ensino convencional. Os nossos alunos não vão para a escola só para aprender o conteúdo programático dos currículos e da grade curricular. É preciso ampliar isso, tem a socialização, resistência a frustração, tudo isso se aprende na escola, né? A família por melhor que ela possa educar, ela não tem as condições inteiras de poder promover tudo isso, senão daqui a pouco nós vamos criar uma sociedade isoladíssima e individualizada, o que seria o caos para todos. No estado de São Paulo a a gente sempre trabalhou para promover uma melhor qualidade de ensino, seja através da melhoria das condições de trabalho. Eu fui presidente da comissão de educação também e cultura na assembleia, e quando eu estava ali naquela comissão, a gente fez muitas diligências pelo interior do estado, visitamos muitas escolas, vimos desde troca de fiação que colocavam em risco os alunos, os funcionários e os professores. Aí o governo propõe o ensino integral, mas não basta você propor, essa medida precisa ser acompanhada de muitas outras coisas, de muitas outras transformações, de muitas outras mudanças, porque essas propostas acabam sendo colocadas sem o debate com os envolvidos, que é a comunidade, a associação de pais e alunos que precisam participar ativamente de qualquer mudança que seja feita na educação. A educação sempre foi pauta de discursos de muitas candidaturas, mas na hora da ação em si, da prática de concretizar essas propostas apresentadas tem uma longa distância, e às vezes não se consegue fazer. Eu acho que cabe a sociedade cobrar e a quem está na no parlamento também a execução dessas propostas, para que nós possamos um dia, quem sabe, ter uma educação de qualidade.
No seu ponto de vista, o que podemos fazer para mudar a realidade da violência contra a mulher?
Eu acho que quanto maior o empoderamento feminino, menor a violência sobre a mulher. Quanto mais empoderada for a mulher, menos suscetível ela vai ficar em relação a violência. Setenta por cento dessa violência seja um feminicídio, seja o próprio estupro, acontece por parceiros, com pessoas próximas, dentro de casa, em sua maioria. Essa é uma tarefa que nós precisamos nos propor, não é só a mulher na política, essa é uma das ações, mas a mulher ocupando espaços de poder. Seja aqui no jornal, seja na empresa, seja na loja, seja nas tarefas dentro de casa, seja impondo na sua opinião, enfim, eu acho que essas questões são muito caras para nós mulheres, e a gente precisa trabalhar nesse sentido e despertar isso nas mulheres. As vezes o que a gente vê é que há pouco engajamento ainda, precisa ter um número grande de mulheres engajadas buscando essa redução. O Brasil desponta hoje com o quarto país no mundo com o maior número de feminicídio, então o ambiente que nós estamos vivendo neste momento é propício para isso, quando você tem um presidente da República que fala que teve quatro filhos homens e a mulher que ele teve foi um acidente de percurso, o que você espera do país? Se o péssimo exemplo vem de cima, ele acaba criando condições para essa violência se intensificar. Nós precisamos de leis cada vez mais rigorosas, medidas protetivas precisam ser mais intensas ainda e talvez até com acompanhamentos, porque a gente vê que muitas medidas protetivas são tomadas pela Justiça, mas a mulher dali uns dias, semanas, meses acaba sendo assassinada pelo seu parceiro. É fundamental ainda a educação de gêneros na escola, eu não tenho nenhum receio em falar sobre isso. Defendi essa medida quando fui presidente da comissão de Educação e cultura. Quando a gente começar a criar uma geração que entenda que a mulher não é propriedade do homem, que a mulher tem os mesmos direitos, tem a mesma capacidade de decisão, ela tem que estar onde ela quiser, o seu corpo é ela que é dona, o não é não, quer dizer, tem vários componentes que precisam ser trabalhados, isso não significa que você vai aviltar qualquer preceito moral quando você trata disso, muito pelo contrário, você vai estar trabalhando para uma cultura de paz entre homens e mulheres, porque é isso que a gente busca, é essa igualdade que a gente clama tanto e que não conseguem imprimir isso nas escolas. Eu sou otimista, acho que um dia a gente chega lá.
Falando sobre o seu partido, você está no PT desde a década de 80, acompanhou o auge no início dos anos 2000, desde a fase de baixa, por volta de 2014. Como acredita que o PT chega agora nas eleições de 2022?
O PT chega fortalecido, ele representa hoje a esperança de um de um país melhor, de um mundo melhor, das pessoas poderem ter uma vida melhor, de ter novas oportunidades, de ter um salário melhor, de ter uma educação melhor, de ter uma saúde sobretudo melhor. Então, acho que o Lula personifica isso, ele materializa isso. As pessoas têm essa lembrança muito forte, ou seja, na época do presidente Lula eu vivia melhor, eu comia melhor, eu podia ir no supermercado, eu podia comprar coisas que eu nunca tive dentro da minha geladeira, sonhar em ampliar a minha casa, trocar meu carrinho ou comprar um novo. Enfim, era uma outra vida, né? Eu me lembro que muitas vezes andando pelos bairros via as famílias todas fazendo seu churrasco, sua cervejinha, seu refrigerante, comendo, tomando um sorvete. Hoje você não vê mais, os preços das coisas dispararam, a inflação é altíssima, uma das maiores nos últimos vinte anos. A gente não pode esquecer que o Bolsonaro não deu um centavo de aumento real paro o salário mínimo, foram só os aumentos corrigidos pela inflação. Então tudo isso eh é um desastre para população e reflete no aumento da população em situação de rua, do desemprego também batendo na casa de milhões. Então acho que o momento é muito duro e tudo isso remete a uma parcela expressiva da população, segundo o Datafolha, 48% é para votar no Lula, porque ele representa essa esperança.
Fernando Haddad está em primeiro lugar nas intenções de votos aqui para o Governo do Estado de São Paulo, mas a gente também uma crescente dos outros candidatos. O que pode ser feito para que ele administre essa vantagem?
Olha nós nunca governamos o estado de São Paulo, acho que o Haddad reúne todas as condições para ser um excelente governador. Claro que São Paulo tem peculiaridades que são muito diferentes de outros estados, sobretudo o nosso interior. Eu também sou do interior, de Catanduva. Então eu vejo que pela primeira vez um candidato do Partido dos Trabalhadores já sai na frente. A perspectiva do Haddad poder chegar ao segundo turno num bom posicionamento é grande, e o atual governador está muito desgastado porque também carrega o desgaste do Doria. O PSDB há trinta anos governa esse estado, então eu creio que há um sentimento na população paulista de querer mudar. Agora precisa saber como é que ela vai se comportar, você tem claro que o Haddad também se beneficia pelo crescimento do Lula, agora falando assim mais friamente. Quanto mais o Lula cresce, acho que mais as chances de alavancar a candidatura do Haddad. Na eventualidade do Lula ganhar no primeiro turno e o Haddad for para o segundo turno, é claro que o Haddad vai chegar bastante fortalecido. Resta saber como que se comportam as outras candidaturas. Precisa ver se o Márcio França fica candidato ou se ele não fica candidato, se por ventura ele sair, para onde vão esses votos, migram para quem? Vão paro PT? Vão para o Rodrigo? Talvez possa se dividir? Então acho que tem todo um cenário aí, São Paulo está mais complexo um pouco. Nos colocarmos sempre à disposição de Franca, para as suas demandas.