Fernando Lima
A situação econômica do país é amplamente debatida, desde a alta inflação até os sinais de recuperação, o assunto domina as conversas dos brasileiros. Em Franca por exemplo, ao mesmo tempo em que eventos como a Expoagro movimenta milhões, a renda média por morador é considera baixa.
Sobre estes pontos nós conversamos com o economista Adnan Jebailey, que mostrou seu ponto de vista sobre temas importantes e que mexem com a nossa vida. Confira a entrevista:
Este ano teve a retomada da Expoagro em Franca, que além dos shows tem também toda a parte técnica envolvida na feira, os negócios que são fechados. Qual a importância dessa retomada para a economia da cidade?
A Expoago tem sim uma importância significativa em Franca não só economicamente, mas até mesmo no sentido de cultura e lazer para a cidade. Foram quatro anos sem a Expoagro, então quando a gente tem um evento dessa magnitude, a gente movimenta o setor de turismo, seja das pessoas que vem pra ir até a Expoagro, seja daqueles que vem pra negociar. Então tem aquele recurso que é movimentado para a Expoagro, mas tem um outro setor de turismo que é muito importante, que fortalece a economia. Quando a gente tem feira é um evento que faz com que as pessoas saiam de casa, consumam mais e isso acaba se tornando um fator muito importante pra movimentação da economia.
A economia em Franca sempre foi muito ligada ao calçado, mas agora este cenário vem mudando, especialmente por conta do café. O agro daqui, está se tornando mais forte?
Quando a gente fala do café se tornando forte em comparação com o calçado eu não diria que o agro está se tornando mais forte. Eu mudaria a afirmação e falaria que o calçado está se tornando mais fraco na cidade. Então outros setores da economia, principalmente quando a gente fala de exportação, eles se tornam mais relevantes na balança comercial francana, ou seja, na pauta exportadora da cidade. O café vem ganhando essa força, ele vem ganhando o topo, mas eu acho que é momentâneo, o calçado ainda movimenta muito a economia da cidade. O que a gente percebe é que na verdade não é o agro que ganha força, é o calçado que perde e abre margem pra que outros setores da economia despontem na cidade.
A renda média do francano gira em torno de R$ 2 mil, este valor é baixo? É alto? Como avalia-lo economicamente falando?
Quando a gente fala de uma renda de um pouco mais de dois mil reais pra cada francano a gente está falando de um outro fator muito importante na economia, que é a má distribuição de renda. Pra se ter uma ideia, oito em cada dez francanos ganham até dois salários mínimos por mês. Então, basicamente é um salário de subsistência. Ou seja, você vai utilizar esse salário pra pagar o aluguel, para comprar alimentação e pra comprar remédio. Por isso, muitas das vezes quando a gente anda na rua a gente tropeça em supermercados ou a gente tropeça em farmácias, né? Por conta dessa renda, que é basicamente uma renda de subsistência. E fazendo uma ligação com outros pontos que a gente falou do setor do agronegócio, ele é muito importante para crescimento econômico da cidade, mas ele é muito ruim para o desenvolvimento econômico da cidade. Quando a gente tem uma cidade com um agro forte, ela produz muita riqueza, mas essa riqueza ficará na mão de poucas pessoas. Ou seja, a gente tem pouca gente com muito dinheiro e muita gente com pouco dinheiro. Esse é um cenário que é importante, mas as políticas públicas do município de Franca tem que ser voltadas pra setores como comércio, serviços que de fato geram emprego e fazem com que a gente tenha uma distribuição de renda cada vez mais igual.
Qual dica você daria para quem está endividado e quer pagar estas dívidas, limpar o nome?
Quando a gente fala de dívidas e principalmente em limpar o nome, a gente tem que lembrar que 77% dos brasileiros estão com dívidas atrasadas segundo as últimas pesquisas. Ou seja, limpar o nome num cenário de inflação acho que é até de mal gosto eu tentar dar dicas nesse sentido. Mas assim, se eu tivesse que dar uma dica pra quem está bastante endividado, que tem que escolher entre qual conta vai pagar ou não, a primeira dica é selecionar aquelas contas que são básicas que você não pode deixar de pagar, é o aluguel ou é a conta de luz, é a conta de água. Depois um outro bloco de contas que deve ser priorizado é aquelas que tem os juros mais altos, cheque especial, cartão de crédito e por último você lista as dívidas da menor para maior e vai pagando de baixo para cima, para que você consiga ir evoluindo nesse pagamento. É escolher o que você vai pagar e com certeza alguém vai ficar sem pagar. Porque nesse cenário de inflação alta que está corroendo o poder de compra das famílias e pós-pandemia, em que muitas das vezes os salários caíram ao invés de subir, por conta da situação econômica das empresas, eu acho que na verdade o que mais vale não é como você quita todas as suas dívidas, mas qual é a melhor forma de escolha pra você pagar as que tem.
A pandemia fez com que as atividades remotas ganhassem força, isso foi um avanço quase que obrigatório. No seu ponto de vista, esta tendência do online deve permanecer? Como isso influencia na economia?
De fato com a pandemia as atividades on-line ganharam força, é uma realidade, mas a gente tem percebido que não está ficando para história do mercado de trabalho brasileiro um trabalho que seja absolutamente remoto. Muitas empresas estão migrando para um mercado mais híbrido, ou seja, o híbrido seria trabalhar um pouco presencial e um pouco remoto. É essa a tendência. Mas é muito importante falar que essa tendência esconde uma cortina de fumaça que seriam de salários mais baixos. Eu dou mais liberdade para funcionário, eu acabo liberando mais tempo, mas em contraposição essa liberação de tempo eu reduzo o salário. Então na verdade não é que a gente está tendo um ganho. Os trabalhadores não estão tendo um ganho nesse processo. Eles estão basicamente trocando a liberdade pelo dinheiro e deve ser a régua com esses avanços dos trabalhos híbridos e tudo mais. Essa é uma tendência que deve permanecer como uma tendência bem provável de pejotização para reduzir esses custos trabalhistas no Brasil de CLT, que acabam sendo bastante significativos.
A inflação está em alta, tirando o poder de compra principalmente dos mais simples. Você acredita que isso será uma tendência para este ano, ou existe uma previsão de queda da inflação?
Realmente para esse ano não existe nenhuma tendência de queda na inflação, a tendência é que ela permaneça num patamar de dois dígitos, inclusive aumentando os produtos de alimentação, os produtos de maneira geral, porque a inflação é o aumento contínuo e generalizado de todos os preços, achatando ainda mais o poder de compra e penalizando os mais pobres, que quando vão ao supermercado tem que escolher entre se vão comprar uma carne ou se vão comprar uma verdura, o que que o dinheiro dá pra comprar. Essa inflação é perniciosa, ela marcou a história econômica do Brasil na década de oitenta, início dos anos noventa. Então assim, tem que ser um ponto de muito cuidado do governo e fatalmente essa inflação deve interferir nos resultados das eleições.
Como as eleições em outubro devem influenciar na economia neste ano?
Eu até inverteria a pergunta, para como a economia deve impactar as eleições deste ano? Bem provável que nessas eleições a gente tem visto um histórico e quando a gente falava de inflação eu pontuei isso, normalmente governos que chegam em ano de eleição com dois dígitos eles caem ou são tirados do poder. Se a gente pensar na era democrática, Fernando Collor foi impitimado, com uma inflação gigante e galopante. Fernando Henrique Cardoso perdeu a eleição para o Lula, ou seja, não conseguiu colocar alguém do PSDB no poder dando continuidade, por conta dos dois dígitos quando ele deixa em 2002 a presidência do país. a Dilma foi de certa maneira impitimada também por conta de uma inflação de dois dígitos e agora temos um presidente que tem uma inflação de dois dígitos também. Ou seja, a inflação é muito impopular entre os eleitores, principalmente entre os mais pobres e que são quem de fato escolhem quem irá o Brasil já que são a grande maioria da população. Então para este cenário isso deve acontecer. Obviamente quando a gente olha então o que que a eleição pode causar na economia após isso, ela gera mais incerteza. Bem provável que gerando mais incerteza o valor do dólar deve a próxima eleição, devemos ter mais inflação por conta desse aumento do dólar. Então assim, a inflação é um cenário de incerteza e vai depender muito também de quem ganhar a eleição. Nesse cenário, nesse contexto que a gente tem de polarização dentro das eleições, essas eleições devem marcadas na história por conta desses embates que deverão haver, do que vai acontecer, se haverá um questionamento ou não em relação a resultado e tudo isso é incerteza na economia e acaba sendo muito ruim para os cidadãos que acabam tendo também a sua vida afetada.