Fernando Lima
Recentemente alguns vídeos mostrando brigas de adolescentes em escolas chamaram a atenção em Franca. Na Torquato Caleiro, no dia 29 do mês passado, uma briga generalizada foi registrada. Os vídeos mostram adolescentes trocando socos e chutes, um dos menores chega inclusive a cair e ainda continua sendo agredido. Outras gravações mostram ainda meninas trocando xingamentos e terminam se estapeando. No total foram cinco brigas flagradas por estudantes em um período de 30 dias.
Para o psicólogo Felipe Santos, a ruptura da rotina das crianças e dos adolescentes com a volta ao presencial é um dos fatores que explicam o registro de tantas brigas no ambiente escolar.
“Eu costumo dizer desde o ano passado, que eu percebia que a maioria das pessoas teve uma ruptura muito grande da rotina, do padrão de vida onde tudo era presencial quando veio a pandemia e mudou tudo, fomos para as atividades de forma online. Agora sofremos novamente essa ruptura de voltar ao que tínhamos antes. Ouvi dizer que no caso das escolas seria uma volta gradual, mas não está sendo assim, nós os seres humanos temos a capacidade de adaptação, mas isso demanda tempo”, avaliou.
Ainda segundo o profissional, em relação aos adolescentes existe um agravante, já que ao mesmo tempo em que enfrentam a ruptura, eles ainda têm que lidar com questões como crises de identidade. “É um exercício de empatia, os pais se colocarem no lugar do adolescente e terem essa nova rotina de adaptação com os filhos, ouvir, buscar identificar o que está acontecendo, sempre o diálogo, para criar a confiança. Nessa hora é importante também não impor a hierarquia como se obrigasse a readaptar novamente a realidade de levantar cedo e frequentar a escola assim tão rápido. Isso pode até mesmo causar um afastamento. É hora de tentar entender tudo o que o adolescente vem trazendo, demandas, inseguranças, assim ele vai se sentir acolhido, sentir que está sendo ouvido. Juntos, os pais e os filhos podem procurar ajuda profissional e trabalhar todos estes impactos causados”.
O psicólogo finalizou afirmando que além dos estudantes, os profissionais da educação e os pais também devem procurar ajuda profissional. “O eixo central de tudo isso passa pela saúde mental, a escola não é apenas o estudante, ela é o professor, os funcionários e todas as relações que são criadas no lugar”.
Para um dos coordenadores da Comissão OAB vai à Escola, Alexandre Lopes de Azevedo, o tempo em que a pessoas ficaram trancadas em casa, faz com que agora alguns queiram colocar tudo para fora. “Percebe-se também que não há ainda uma segurança para as pessoas, muitos ainda não se sentem seguras em estarem em ambientes fechados, que reúnem várias pessoas. Acredito que o Estado deveria ainda colocar à disposição um ambiente misto, para que aqueles que ainda não se sentem seguros, possam permanecer em casa”, avaliou.
Lopes comentou ainda que a Comissão OAB vai à Escola é formada por diversos advogados que vão até as unidades de ensino e falam sobre direitos, deveres e cidadania, o que pode também colaborar para mudar a realidade das brigas nestes locais.
“O nosso foco dentro das escolas é sempre no último ano do ensino médio, quando o aluno está saindo para encarar o mundo, encarar uma vida profissional, universitária, até para ajudar na opção deles. Alguns se identificam com o direito, outros em outras áreas. Todas as vezes em que vamos a escola, os assuntos são os mais variados, inserindo um pouco do mundo jurídico, da responsabilização, da ética, de valores, de direitos humanos, de deveres, de direito, tudo isso é abordado pela nossa comissão e tudo isso também contribui para a formação”, finalizou.