Fernando Lima
Uma tradição que passa de geração em geração, o consumo de peixes tradicionalmente aumenta no período da quaresma, mas este ano foi diferente, especialmente por conta do preço e da inflação, o crescimento nas vendas ficou em média 15%.
A empresária Andressa Liporoni tem uma peixaria no Jardim Califórnia. Ela explicou que na quaresma as vendas cresciam pelo menos 50%. “Está sendo atípico, nesta época eu já tinha contratado até mais funcionários para me ajudar já que a demanda crescia demais. Este ano não passou de 15%. Preocupa um pouco, já que a quaresma para gente que tem peixaria é como se fosse o natal”, contou.
Apesar do aumento tímido, a proprietária ressaltou que não se deixou abalar e aposta tudo na Semana Santa. “Já reforcei o estoque de peixes, camarão, entre outros, ainda mais agora que liberaram 100% de ocupação nos estabelecimentos, não precisa mais usar máscara, isso de uma forma ou outra, acaba influenciando nas vendas também”.
Andressa disse ainda que o filé de tilápia é o campeão de vendas, porque além de ser saboroso é acessível. “Cação, pintado, bacalhau e até mesmo camarão, todos eles têm uma boa aceitação do público. Mas a tilápia acaba se destacando, principalmente para quem não quer perder a tradição mesmo de consumir peixe na quaresma”, finalizou.
Há oito anos com uma peixaria em Franca, o Natanael Teixeira também vai apostar todas as fichas dele na Semana Santa, ele não sentiu qualquer aumento nas vendas durante o período da quaresma. “Não mudou nada em relação aos dias normais, não senti nada de diferente. Acredito que neste ano para falar a verdade, as vendas vão ser intensas mesmo na quarta-feira, quinta e sexta-feira da semana que vem, igual acontece todo ano. O cenário mudou demais, tá tudo muito caro, isso fez com que as vendas não aumentassem igual aconteceu nos outros anos”, finalizou.
Os preços dos peixes estão pelo menos 15% mais caros em Franca. Andressa Liporoni contou que na loja dela, os valores variam entre R$15 a R$ 170. “O que tenho de mais caro aqui é o camarão rosa, R$170 o quilo. Os reajustes não foram tão gritantes, mas acaba influenciando na venda de alguma maneira. O bacalhau também é muito tradicional, tenho a partir de R$79 o quilo”.
Já Natanael Teixeira destacou que os importados subiram mais, e a tilápia, por ser mais saborosa e mais em conta, vai predominar nas vendas. “A tilápia é muito boa, tem muita qualidade e predomina. Vieram alguns reajustes sim, eu segurei em alguns produtos para não repassar para os clientes. A gente diminui a margem de lucro, não chega a ter prejuízo, a gente fideliza o cliente e acaba não perdendo”, relatou.