Desde a quinta-feira (17), não é obrigatório o uso de máscaras em todo o Estado de São Paulo, a exceção fica apenas para quem frequentar postos de saúde e o transporte público. Franca seguiu o Estado e acatou as regras de forma integral. Mas a suspensão do uso dos acessórios para se proteger contra a Covid após dois anos de pandemia tem gerado dúvidas. Determinados locais na cidade, como escolas e supermercados, não obrigam alunos e clientes a usarem máscaras, mas sugerem manter o uso em ambientes fechados. Para esclarecer melhor o assunto, o Jornal Verdade entrevistou o médico pneumologista Paulo Antônio de Morais Faleiros, que afirmou que a alternativa mais prudente para decidir pelo uso ou não das máscaras faciais é o bom senso e atentar para a cobertura vacinal completa.
“Tenho medo na verdade de ser uma medida política, poderia ser mais devagar. Ver que as pessoas estão cansadas por usar máscaras, isso não é uma justificativa. Se olharmos bem, estão sendo registrados muitos casos, mas poucos graves. Ainda é necessário usar o bom senso na questão das máscaras”, avaliou o médico pneumologista Paulo Antônio de Morais Faleiros.
O médico recomendou também que as crianças continuem usando o item de segurança nas escolas. Pelas regras vai ficar a critério dos pais. “A cobertura vacinal nas crianças infelizmente segue baixa, muito longe do ideal, por conta disso o uso de máscaras nas escolas é recomendado. Alguns acreditam que as crianças não precisam ser vacinadas, ou ficam com medo, porém as vacinas são seguras e são mais de 30 milhões de crianças vacinadas em todo o mundo, e existem milhares delas que morreram ou perderam a saúde por conta da doença, sofrem com sequelas por exemplo. A vacina ainda é a nossa melhor arma”, disse.
Ainda segundo o profissional, em locais como supermercados, eventos, entre outros onde as máscaras não são mais obrigatórias, será necessário que cada pessoa faça o que se sentir mais seguro. “São situações em que se deve avaliar, é comendado que em lugares fechados com aglomeração, por exemplo em um restaurante que tem pista de serviço, que evite de ir sem máscara. Se está andando na rua, ótimo, ambiente aberto, mas pode haver aglomeração também, como filas em que as pessoas ficam muito perto uma das outras. Vai sempre ser o bom senso em primeiro lugar”.
Paulo finalizou lembrando que algumas regras não fazem sentido, como por exemplo a exigência de máscaras em transporte público, e a não exigência em festas e eventos em geral, onde também há aglomeração. “Acredito que agora estamos mais próximos do fim sim, mas o Brasil tem sempre a vantagem de enxergar o nosso futuro lá fora. A gente vê que tem um novo pico acontecendo na ásia, na europa, isso pode chegar aqui. Levamos vantagem na vacinação, mas não podemos abrir mão das medidas de segurança assim, tão rápido e ficarmos indisciplinados”.
O Jornal Verdade mostrou que o governador João Doria anunciou a flexibilização do uso de máscaras em todos os ambientes, com exceção do transporte público e em postos de saúde.
“Recebi uma nota técnica do Comitê Científico que demonstra uma melhora consistente na situação epidemiológica no Estado. Por isso decidi, com respaldo desses cientistas e médicos, abolir imediatamente a obrigatoriedade do uso de máscara em todos os ambientes, com exceção de unidades de saúde, hospitais e transporte público”, disse Doria.
O novo decreto será publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado e terá efeito imediato. O uso agora torna-se opcional em ambientes como escritórios, comércios, salas de aula, academias, entre outros. A flexibilização em ambientes abertos já havia sido autorizada pelo Governador no último dia 9 de março.
A decisão foi baseada em análises técnicas do Comitê Científico do Coronavírus de São Paulo. Os especialistas levaram em consideração o índice de vacinação com duas doses no estado, que atingiu a meta definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS) de 90% da população elegível, ou seja, acima de 5 anos imunizada.
Entre as análises também foi considerado que após 14 dias do feriado de Carnaval, foi constatado uma manutenção da melhora dos indicadores epidemiológicos, indicando que a queda na transmissão da Sars-Cov 2 no Estado de São Paulo segue de maneira progressiva. Pela sexta semana seguida registra quedas de internações nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva e de enfermaria. Na última semana foi registrada a redução de 18,5% nas novas internações.