Fernando Lima
A ação de adolescentes e jovens que limpam para-brisas de veículos ainda gera incômodo em Franca, não pelo trabalho, mas especialmente pela maneira com que eles abordam e intimidam as pessoas, principalmente mulheres e idosos.
Nas últimas semanas o Verdade recebeu diversas reclamações sobre o assunto, e em uma apuração de dias, colheu relatos de pessoas que sofrem com o problema, que parece longe de ter um fim.
“Esse incômodo vem principalmente pela falta de respeito e educação deles. Eles não chegam para perguntar se você deseja que seja feito o serviço de limpeza, simplesmente já jogam a água no teu vidro mesmo você falando que não quer, aí passam a te ofender. As ofensas são palavras muitas vezes de baixo calão, enfim, coisas que são insuportáveis”, relatou o empresário João Batista de Lima, de 67 anos, que tem uma padaria na esquina de maior atuação dos limpadores, na avenida Major Nicácio com a Presidente Vargas.
Lima relatou ainda que uma senhora que é cliente da padaria, sofreu assédio ao negar o serviço. “Ela falou diversas vezes que não queria, ele já tinha jogado a água. Então ele veio até a porta e jogou água nela. Eu tenho um outro relato de uma senhora que disse para que ele não limpasse o para-brisa porque ela não tinha dinheiro, e ele continuou insistindo e limpando. Na hora que foi cobrar, ele disse que ela poderia pagar o serviço com um beijo na boca”, contou.
Toda a ação dos limpadores fez com que a clientela do empresário evitasse o local, prejudicando até mesmo o movimento da padaria, especialmente de mulheres e senhoras. Uma medida adotada por ele, foi colocar seguranças saindo do estacionamento da empresa, até a porta da padaria, para evitar a abordagem desses jovens a clientes pedindo que eles comprem comida, o que também vira motivo de constrangimento quando é negado.
“Isso sempre causa um desgaste, causa medo e dá receio nas pessoas de irem à padaria. Eu vejo muito em São Paulo, em muitas esquinas gente que limpa o para-brisa por uma, duas moedas, mas eles agem com educação, chegam e perguntam, se você faz o sinal que não quer ele já passa reto. Agora os de Franca são audaciosos, sem educação e batem boca. Eu já tive vários problemas, me ofenderam diversas vezes. Já fizemos reclamação no Ministério Público, na Polícia Militar, na Polícia Civil, na Secretaria de Ação Social, já fiz reclamações junto ao próprio prefeito Alexandre Ferreira. Enfim, já fizemos tudo. A sensação que dá é a de que a cidade tornou-se refém desses meninos”.
O advogado Paulo de Tarso Careta também se revolta com a situação. Recentemente ao ser constrangido, fez uma postagem nas redes sociais e logo uma enxurrada de comentários trouxe relatos de quem também já sofreu com o mesmo problema.
“Foram várias experiências ruins com os lavadores de vidro. Eles abordam de uma maneira agressiva, insistente. Não adianta você recusar, sinalizar que não quer, falar que não, que eles jogam o produto no seu vidro, e você é obrigado a deixar ele limpar para não dificultar a visão”.
Paulo contou ainda que precisa passar diversas vezes ao dia pelo local, já que é caminho para o trabalho, e na maioria das vezes se sente constrangido com as situações envolvendo os jovens.
“Eles estão em um número grande e claro você acaba ficando com receio. Eu me senti impotente, como quem não pode fazer nada. Se você brigar porque ele está colocando a mão no seu carro, você corre o risco de apanhar, de estragarem seu carro, de riscar. A polícia que é a autoridade responsável pelo sossego alheio, que tem que agir e impedir isso. Prejudica e muito a cidade, a gente fica mal visto, parece cidade insegura e tudo mais. Mancham o nome da cidade, as autoridades, a prefeitura, podem ter alguma coisa social para fazer de treinamento para essas pessoas, de especialização, seja lá o que for, mas permitir que fiquem na rua constrangendo o cidadão, isso não pode”, desabafou.
O Jornal Verdade cobrou um posicionamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP), sobre o assunto. Confira a nota:
“As forças de segurança estaduais atuam de forma integrada e constante em toda a região de Franca para reduzir todos os índices de crimes patrimoniais e ampliar a sensação de segurança. A Polícia Militar, por meio do CPI-3, analisa periodicamente as áreas com maior incidência criminal para realizar operações específicas, como a Interior Mais Seguro e a Rodovia Mais Segura. Além disso, as ações de policiamento ostensivo, preventivo e de polícia judiciária foram intensificadas em todas as regiões do interior, inclusive em Franca. Sobre as ocorrências no endereço citado, a Polícia Civil registrou três boletins envolvendo menores de 18 anos, sendo todos eles encaminhados para apreciação da Justiça”.
Já a Prefeitura de Franca afirmou que implantou o programa “Primeira Chance”, que oferece curso de qualificação e um bolsa mensal para atender os jovens.