Fernando Lima
Nesta quarta-feira (26), a Prefeitura de Franca divulgou um comunicado desmentindo que estaria realizando um estudo para implantar um lockdown na cidade, tudo teve início após um áudio com uma entrevista concedida pelo vereador Zezinho Cabeleireiro voltar a circular em grupos de WhatsApp e nas redes sociais, afirmando que, por conta do aumento de casos, restrições poderiam ser impostas na cidade.
A entrevista é de 2021 e não reflete a atual realidade. Por conta disso, a assessoria do poder Executivo enviou comunicado para a imprensa onde desmente a informação, descartando o lockdown.
“Primeiro como profissional é uma situação muito constrangedora, as pessoas usam de má fé para prejudicar quem lida com o público de uma forma geral. Pessoas públicas, que têm credibilidade, eu sou repórter há 20 anos e nunca tinha passado por isso. Utilizaram uma reportagem verídica do ano passado e geraram essa situação com a intenção de causar pânico na população e talvez com a intenção de prejudicar alguém”, desabafou o repórter Alexandre Silva, que é o entrevistador no áudio.
Ainda na avaliação do profissional a Polícia Civil tem meios para trabalhar em cima do caso, para tentar chegar em quem deu início a tudo isso. “É uma entrevista antiga e que viralizou em grupos de facebook, de WhatsApp. Repudiamos qualquer ato assim, tem que ser punido. O departamento jurídico do portal está vendo a possibilidade de fazermos uma apuração junto com a Polícia Civil, afinal é um crime comunitário, está prejudicando a cidade toda”, finalizou.
O vereador Zezinho Cabeleireiro teve seu nome envolvido na polêmica e, por conta disso, a Câmara Municipal emitiu uma nota de esclarecimento, afirmando que se trata de uma gravação antiga feita no ano passado e veiculada em órgão de imprensa local, e que na época realmente existiam restrições adotadas para conter o avanço da Covid-19. “A Casa de Leis francana informa que não há até o momento novas medidas de restrição anunciadas pelo Poder Executivo. O Poder Legislativo apoia a prevenção e alerta sobre a importância dos cuidados com a saúde e nesse sentido lançou uma campanha com dicas à população como, por exemplo, destacando a necessidade da vacinação, uso de máscara, higienização das mãos e o distanciamento social. O Legislativo francano mantém o seu compromisso com a transparência e reforça a importância da população acompanhar as informações pelos canais oficiais.”, divulgou na nota.
A advogada especializada em Lei Geral de Proteção de Dados, Lívia Cintra, afirmou que a liberdade de expressão está prevista na Constituição Federal, mas que divulgação de notícias falsas podem trazer consequências.
“A propagação de uma informação enganosa pode gerar danos a saúde pública, desequilibrar o comércio, incitar a violência e a discriminação. Juridicamente falando existem algumas consequências para esses propagadores e autores de fake news. Segundo o Código Penal se essas informações falsas gerarem crimes contra a honra os expositores poderão responder por calúnia, injúria ou difamação, além disso a vítima daquele dano moral sofrido pode pedir indenização na esfera cível. Então cuidado, não acredite em qualquer informação que você vê por aí, procure averiguar, se informar sobre o fato e pesquise em diversos veículos de comunicação”, finalizou.