Chuva em excesso, calor intenso e geada – no ano passado – afetaram a produção de uma grande lista de hortifrutis e com a menor oferta no mercado, os consumidores já sentem que os preços pesam no orçamento. Comerciantes entrevistados pelo Verdade estimam alta de até 140% nos produtos. Alguns deles, sem produção, chegam a faltar nas prateleiras, como alface, rúcula, couve-flor e brócolis.
O brocólis aparece entre os principais “vilões”. Há varejões que comercializavam a bandeja por R$ 4,99 e passaram a vendê-la por R$ 11,99, 140% mais caro. Os vendedores afirmam que a mercadoria que antes encontrada na região, tem vindo de pólos produtores localizados no Sul do país, 1.200 quilômetros mais distantes, o que gera gastos maiores com frete. “A viagem também é feita em caminhões refrigerados porque são muito perecíveis e precisam de cuidados a mais para ficarem conservados”, disse Rodrigo Carreiras, sócio-proprietário do Hortifruti Carreiras, que está há 25 anos no ramo e notou a disparada de preços.
No local, a cenoura encareceu 72%, o quilo é vendido a R$ 6,89, antes custava R$ 3,99. O tomate vem sofrendo altas gradativas nos últimos 15 dias e já é vendido a R$ 8,89 o quilo, 40% a mais.
A geada registrada no ano passado prejudicou a produção de grãos e frutas e afetou a oferta de produtos no mercado. A bandeja de milho já chegou a custar R$ 8,49, era R$ 4,99. Hoje é encontrada por R$ 6,99, ainda assim mais cara.
O quilo da banana prata, por exemplo, antes vendido por R$ 4,89, subiu 81% e passou para R$ 8,89.
Feirante há 14 anos, Danilo de Lima Santos se disse surpreso com o aumento dos preços das frutas, legumes e folhas que comercializa na feira livre. O valor acaba sendo repassado para os clientes, que segundo ele, reclamam, mas não deixam de levar o produto, só que reduzem a quantidade. “Os preços dobraram, este ano começou difícil. É muita chuva, depois muito sol e na roça o pessoal não consegue produzir, estraga tudo. Tem mercadoria que já está faltando, então a gente não tem para vender e está caro demais”, afirmou Danilo, ao comentar que o maço de alface era R$ 3 e custa agora R$ 7 e o quiabo é vendido por R$ 10 o quilo, antes custava R$ 3.
Em Franca, segundo dados da Estação Meteorológica da Somar, choveu em janeiro de 2022, até o momento, 140 milímetros e a média histórica prevista para todo mês é 323 milímetros.
A mudança de temperaturas neste período tem chamado a atenção na cidade, que já teve extremos de 31,5 graus, acima da média climatológica que é de 27 graus, de acordo com registros da Somar.




Vários produtos sofreram alta e, com pouca oferta no mercado por causa da chuva, chegam a faltar nas prateleiras | Foto: Hortifruti Carreiras