Quem está acostumado a fazer as compras para casa vem sentindo o preço dos alimentos pesar mais no bolso. Nesta semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) que aponta aumento de 7,49% no valor dos alimentos durante 2021.
Os dados revelam que os produtos que tiveram maior disparada de preços foram frango, carne bovina, açúcar, tomate e café. A estiagem prolongada e inflação na economia brasileira são tidos como fatores que contribuíram para encarecer esses alimentos. Para se ter ideia, segundo o levantamento do IBGE, o ovo ficou 13,24% mais caro e o frango em pedaços subiu 29,85%.
O economista Adnan Jebailey afirma que três fatores principais culminaram no aumento do preço das aves: a alta do milho, utilizado como ração que subiu 50% no ano passado, encarecendo a produção nas granjas; o aumento da carne bovina e a valorização do dólar. “Com o aumento do preço da carne bovina, as pessoas começaram a consumir frango, pelo menor preço e, quando você aumenta a procura, a demanda por um item, o preço de oferta dele aumenta também. Com a alta do dólar, quem produz frango, se tiver uma janela para exportar, vai preferir vender para o mercado externo a deixar o frango no Brasil para venda e com isso tem menos frango aqui e o preço também vai ser elevado”, explicou o especialista.
Adnan Jebailey afirmou que uma das alternativas para driblar os preços nas alturas é reduzir a quantidade de dias de consumo dos alimentos que estão caros durante a semana, além de fazer as substituições, mas neste caso, é preciso ter cautela.
“A gente tem observado que as pessoas têm trocado as carnes in natura por produtos processados, como mortadela, salsicha e presunto. Isso faz com que as pessoas economizem, mas em sentido de valor nutricional, é péssimo e pode acarretar problemas de saúde dependendo das trocas realizadas. Isso faz com que a população viva em estado de insegurança alimentar”.
O francano Roberto Junqueira mora com a esposa e dois filhos e é quem costuma fazer as compras para a casa. Ele disse que se surpreendeu, desde o ano passado, com a disparada dos preços dos alimentos. O frango, como o próprio IBGE confirmou, chamou a atenção dele por encarecer tanto.
“Percebi que o frango teve alta muito grande do final do ano para cá, não sei se pela procura que aumentou porque a carne vermelha subiu demais e o frango era uma opção mais em conta. Um pacote de coxa e sobrecoxa que eu pagava R$ 7,99, às vezes até R$ 6,99, há uns quatro meses, eu cheguei a pagar nesses últimos dias, realmente foi um aumento assustador”.
Uma saída que Roberto encontrou para tentar economizar é acompanhar as ofertas lançadas pelos supermercados através das redes sociais e em grupos de WhatsApp. “Eles enviam as ofertas para a gente ou postam nos status. Eu também sigo os hipermercados nas redes sociais e fico de olho nas promoções, aí eu vou e compro em uma rede o produto que está mais barato, vou para outra e aproveito mais alguma promoção, mas isso tudo considerando também a distância, por conta da gasolina cara demais também”.