Fernando Lima
Já em casa ao lado da esposa e do filho, o Bombeiro Civil Antônio Marcos Caldas, não esconde a gratidão que sente por estar vivo após ser soterrado na gruta Duas Bocas em Altinópolis, tragédia que vitimou nove amigos dele. Mesmo com várias lesões e ainda com muitas dores, o Antônio contou que a lona que ele havia levado para o dia de treinamento, acabou sendo decisiva. “Era uma lona muito grande, nós estendemos ela no chão para passarmos a noite, mas ela não coube junto com outros instrutores, então decidimos levar ela para uma área mais aberta, onde deitou nossa equipe junto com a de Ribeirão Preto. Se nós tivéssemos colocado a lona lá junto com eles, nós teríamos morrido também”, relatou.
O bombeiro contou ainda que foi soterrado, mas resgatado primeiro pelos próprios amigos, que ajudaram a retirar as pedras de cima dele. O espaço entre uma pedra e outra foi inclusive decisivo para que ele conseguisse respirar e saísse com vida. “Foi um momento de muita tensão, é um negócio muito rápido que não dá pra definir se foi desespero, se foi tensão, se foi medo, não dá pra definir ao certo. Graças a Deus a equipe se manteve tranquila e conseguiu fazer com que a gente saísse lá de dentro”.
Quanto a recuperação, o francano destacou que ela está sendo lenta, já que ele se machucou bastante e teve diversas lesões. Impossibilitado de voltar ao trabalho ele agora recebe a ajuda carinhosa de amigos e familiares, que realizaram inclusive uma vaquinha online para colaborar com a família. “Estamos parados, temos filho, contas da casa, essas coisas não param de chegar. Eu sou muito grato, mas muito grato mesmo a Deus por estar aqui e também a todos os que nos ajudaram. Quando eu estiver 100% recuperado eu pretendo continuar com minha carreira de Bombeiro Civil, por que nessa vida a gente não só ganha, a gente perde também e perder a vida ajudando outra pessoa a ser salva, é também coisa de Deus”, finalizou.
Ao lado de Antônio Marcos, a esposa Khallyane Martins contou os momentos de desespero que viveu no dia da tragédia. A auxiliar de produção, que agora trabalha informalmente, se afastou para ajudar o marido no processo de recuperação. “Eu recebi a mensagem do Diego por volta das 3h40, mas só recebi 6h. Na hora que li a primeira coisa que a gente pensa é em morte, porque apesar dele me dizer que o Antônio estava bem, eu não pude ver ele, não pude ter contato, aí já pensamos no pior. Só fiquei tranquila quando fui até a UPA em Batatais e consegui ver ele. Eu tive um pouco de receio já que ele tinha sido atingido no pescoço, pedi pra ele mexer a perna e ele mexeu, aí fiquei mais aliviada. Hoje minha família está completa, graças a Deus”, relatou.
Foi na madrugada do dia 31 de outubro que o teto da gruta Duas Bocas desabou durante um treinamento de Bombeiros Civis, na zona rural de Altinópolis. A tragédia terminou com a morte de nove pessoas, seis delas de Batatais, uma de Sales Oliveira, uma de Monte Santo de Minas (MG), e a outra vítima de Altinópolis.
A Polícia Civil da cidade investiga o acidente, um inquérito foi aberto, sobreviventes e os proprietários da escola de treinamento já foram ouvidos. A perícia técnica também esteve na gruta e o laudo deve ser anexado ao inquérito, que não tem um prazo para ficar pronto.