Fernando Lima
Uma cidade em luto, este era o cenário em Altinópolis na manhã chuvosa desta segunda-feira (1), quando uma equipe do Jornal Verdade esteve no município. Desde as primeiras horas da manhã, a Polícia Militar fechava a principal estrada de terra para a “Caverna Duas Bocas”, palco da tragédia que interrompeu a história de vida de nove bombeiros civis.
O policial explicou que até então a ideia era que a perícia de Ribeirão Preto fosse até o local para terminar os trabalhos técnicos, mas por volta das 11h os planos mudaram, já que o mau tempo não colaborava e acessar a caverna com o tempo chuvoso era demasiado perigoso.
Um caminhão dos Bombeiros passou pela Polícia Militar e informou que subiriam a estrada de difícil acesso até a “Duas Bocas”, onde recolheriam os materiais que foram usados nos resgates horas antes. A equipe enfrentou dificuldades e minutos depois veio a notícia: “O caminhão dos bombeiros atolou na lama e agora um trator de um morador da zona rural vai ajudar a tirar. Está muito arriscado tentar subir”, explicou o Cabo Roger da PM.
Ao mesmo tempo em que o cenário da tragédia se mostrava ainda mais perigoso, Batatais, Sales Oliveira, Altinópolis e Monte Santo de Minas, enterravam as vítimas do acidente. No total, foram nove, todos eles estavam em um treinamento justamente para socorrer pessoas em locais de difícil acesso, quando o teto da gruta desmoronou.
A perícia vai agora tentar montar as peças do quebra-cabeça para entender o que aconteceu na madrugada de domingo (31), quando os civis morreram.
“Ela é muito conhecida, recebe turistas de todo o país, quando tem o forró da Lua Cheia, que já é tradicional, a gruta fica repleta de gente. A principal delas é a do Itambé, é um local muito querido pela cidade, mas que agora teve essa tragédia. Estamos estarrecidos com isso, não dá para acreditar”, contou o comerciante Leonardo José Gomes, que está acostumado a receber os turistas.
A primeira vítima foi retirada segundo os bombeiros, por volta das 9h45 da manhã do domingo, mas as buscas se estenderam até a noite. Foi um dia intenso, que contou com o apoio dos helicópteros dos bombeiros e o Águia da Polícia Militar, além de equipes do Samu, da Defesa Civil, e vários outros órgãos que prestaram apoio.
Antes da retirada dos corpos, familiares foram até o local na esperança de que as vítimas fossem retiradas com vida, mas a maioria não teve essa alegria.
“Eu estava na tragédia da gruta, eu vi acontecendo, mas não deu tempo de sair, de levantar. Caiu uma pedra em cima de mim, grande. Eu quebrei as clavículas, costelas, osso do pescoço está inchado. Graças a Deus a gente conseguiu sair com vida, meu amigo estava do meu lado soterrado, eu preferi que tirassem ele primeiro, mas eles tiraram eu porque eu ainda aparentava vida, mas eles voltaram e conseguiram resgatar o Diego”, o relato é do bombeiro civil Antônio Marcos Caldas, morador de Franca que fez um vídeo direto do hospital.
“A gente fica triste pelas vidas que foram perdidas dos nossos amigos, a gente era uma família. Por um lado, a gente fica feliz que está com vida, mas por outro a gente fica despedaçado por ter perdido nossos amigos”, desabafou.
A maior parte das vítimas da tragédia era de Batatais, a cidade realizou um velório coletivo na tarde desta segunda-feira, no Ginásio Marinheirão. A princípio ele foi exclusivo apenas para os familiares das seis vítimas, às 10h30 da manhã uma multidão acompanhou as solenidades.
José Cândido, Jenifer da Silva, Elaine Cristina, Jonatas Ítalo, Celso Galina e Rodrigo Triffoni, foram velados lado a lado até às 15h, quando cada um dos corpos foi levado de meia em meia hora até o cemitério da cidade.
O enterro foi marcado por grande comoção, além da presença de autoridades locais e a imprensa vinda de todo o país.
Natan Souza foi enterrado às 13h em Altinópolis, Débora Silva em Monte Santo de Minas (MG), e Ana Carla na cidade de Sales Oliveira.