Há mais de um mês quem mora em Franca foi de uma forma ou outra, atingido pelo racionamento de água, de um modelo que garantia 72 horas de abastecimento, o tempo caiu pela metade, agora são 36h com água e 36h sem.
Mas em alguns bairros a situação é mais complicada. A Kátia Melissa Gonçalves trabalha como doméstica, ela é moradora do Parati na zona sul. Ela contou que chegou a ficar dois dias e meio sem abastecimento. “Voltou de madrugada e depois cortou de novo, é muito instável e não dá para fazer planos. A gente trabalha o dia todo e quando chega em casa fica sem água, é muito complicado e desde o começo está assim. A Prefeitura também poderia cobrar mais para resolver o problema, a gente se sente muito revoltado e abandonado”, contou.
Moradores de um conjunto habitacional no Leporace, na zona norte de Franca também sofrem com o mesmo problema. Na semana passada foram dias sem água, a situação até estabilizou nos últimos cortes, mas ainda assim o retorno demora de 10 a 12 horas além do horário previsto inicialmente. “Eu não consigo ficar tranquilo, tem sempre que ficar estocando água porque não volta na hora. Alguns dias até voltou, mas podemos contar nos dedos”, contou um comerciante da Abrahão Brickmann, que preferiu não se identificar.
Para o especialista em Administração Pública Toninho Menezes, além dos problemas da Sabesp, a Prefeitura de Franca deixa a desejar nas ações que adota para resolver a questão, inclusive na visita do presidente da Sabesp, Benedito Braga. “Essas visitas vão começar a aparecer por conta das eleições no ano que vem, eles vieram dar satisfações, mas na prática não surgiu nada. O prefeito está deixando a desejar, está permanecendo na mesmice, tem que ser mais incisivo e cobrar responsabilidades. Quando tem a visita de um diretor desse, o prefeito deveria ser mais incisivo nas cobranças com a Sabesp” avaliou.
Sobre os pontos da cidade que faltam água, o especialista destacou também que o Executivo tem o poder de agir, principalmente com caminhões pipa para socorrer a população. “Pela lei ele tem poder sim, se atende o interesse do morador de Franca. Isso na verdade é uma questão que já dura cerca de 20 anos e os administradores seguem inertes, a cidade cresceu, desenvolveu e as fontes permanecem as mesmas, ninguém se movimentou para mudar isso, todas as administrações têm culpa, inclusive a atual deveria bater mais nisso, nessa falta de investimento. Essa inércia é inadmissível”, concluiu.
O coordenador do Procon de Franca, Luis Murari, afirmou que o consumidor que se sentir prejudicado pela falta de estabilidade no abastecimento de água, pode sim recorrer ao órgão. “Ele pode ir até o Procon e registrar uma queixa, que vai ser aberto um processo administrativo e a empresa notificada a prestar esclarecimentos sobre os fatos. A princípio é necessário levar os documentos pessoais e vamos orientando o consumidor”, concluiu.
Sobre as críticas feitas pelo especialista e pela população, a Prefeitura de Franca afirmou que acompanha a situação e que tem cobrado a Sabesp sobre essas questões, inclusive com a presença do presidente da empresa na semana anterior.
O Jornal Verdade entrou em contato com a Sabesp pedindo um posicionamento sobre o assunto, assim que ele for enviado será acrescentado na matéria.