Fernando Lima
O presidente da Sabesp, Benedito Braga, esteve na manhã desta sexta-feira (1), na Prefeitura de Franca, onde acompanhado de outros membros da diretoria, prestou esclarecimentos sobre a situação da cidade, especialmente sobre as obras de captação do Rio Sapucaí Mirim, na zona sul da cidade.
Durante a fala o presidente afirmou que existe a expetativa de que a captação esteja operando e atendendo 50% da população de Franca, especialmente a do Jardim Aeroporto, na zona sul da cidade já no primeiro semestre de 2022. Até o final do ano deve atender com 100% da capacidade. “É uma obra que não vai atender apenas a seca e a crise de abastecimento deste ano, mas teremos segurança hídrica pelo menos até 2080. Os nossos estudos mostram isso”, explicou Benedito.
Já Gilson Mendonça afirmou que durante os quatro anos que as obras ficaram paradas por conta de problemas jurídicos com a empresa que ganhou a licitação em 2010, a Sabesp tentou dar continuidade ao empreendimento, mas o mesmo foi negado pelo Tribunal de Justiça do Estado.
“A Sabesp tem sido criticada, alguns dizem que faltou planejamento, mas isso não procede. A empresa começou estudos desde 2002 para ver alternativas para o abastecimento, fizemos vários estudos e o que se mostrou mais viável foi esse da captação do Sapucaí. O único motivo para a obra não ter sido entregue na época é somente o problema jurídico da empresa que abandonou, só isso”, explicou Gilson.
Ainda de acordo com ele, Franca tem uma especificidade quando o assunto é água, já que os reservatórios ficam muito longe do município e a altitude da cidade também é um grande desafio. “As águas estão distantes, não se encontra mananciais próximos da cidade, não se pode comparar Franca com nenhuma outra cidade. O Canoas por exemplo, fica a 15 quilômetros daqui, já o Sapucaí fica a 21 quilômetros. São questões geométricas gigantescas é um grande sacrifício que tem que ser feito para garantir abastecimento, não é fácil”.
No mesmo pronunciamento Mendonça ressaltou que além das obras paradas, a seca foi a mais rigorosa já enfrentada. Entre outubro e março, que é considerado o período chuvoso, caia uma média de 1.360 mm de água, em 2014 esse volume foi só de 950 mm, enquanto que em 2021 foi ainda menor, apenas 825mm.
Durante a coletiva de imprensa a diretoria da Sabesp deixou bem claro que o revezamento no abastecimento deve continuar. “Existe previsão de chuva para este final de semana, mas temos que ser muito conservadores nestas previsões. A estiagem agora está pior do que 2014, então se chover bem, eu não posso dizer que vamos flexibilizar, porque pode ser que falte para alguém”, explicou Gilson Mendonça.
O superintendente respondeu questões sobre a falta de consistência do abastecimento na cidade, em alguns bairros falta água há duas semanas. “São casos isolados que devem ser resolvidos. A gente pode por exemplo levar um caminhão pipa lá, mas temos que saber que está acontecendo”, afirmou Mendonça.
Franca está há um mês em racionamento, atualmente o modelo dividiu a cidade em três blocos, A,B e C, sendo que cada um deles fica 36 horas com abastecimento e 36 horas sem.