Alvo de reclamações por gerar mau cheiro e atrair insetos, as lagoas de tratamento de esgoto da Sabesp em Franca serão desativadas. A companhia vai encerrar a operação de cinco unidades localizadas no Jardim Paulistano, Paulistano 2, São Francisco, Palestina e City Petrópolis; a previsão é que o processo seja concluído até 2025.
A desativação das lagoas estava prevista no novo Código Municipal do Meio Ambiente da cidade e também faz parte de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado entre Ministério Público, Sabesp e Prefeitura de Franca em 2017.
O gerente distrital da Sabesp Franca, Alex Veronez, informou que o cronograma para fechamento das lagoas está na fase de elaboração de projetos. “Já licitamos e contratamos uma empresa que assumiu os projetos para a desativação das lagoas, acreditamos que entre setembro e outubro de 2022, estarão concluídos, para então abrirmos licitação para as obras de reversão”, disse. Segundo Alex, o projeto da unidade do City Petrópolis está mais avançado e as obras devem começar no ano que vem e as outras vão sendo executadas simultaneamente.
As lagoas de tratamento ocupam áreas da própria Sabesp e, para o processamento do esgoto, os resíduos entram nas unidades, ficam por cerca de 20 dias até finalizar o processo biológico para remoção de carga orgânica e poluentes e depois são lançados nos rios em condições melhores e mais adequadas.
O fechamento das lagoas exigirá a construção de uma grande rede para transportar o esgoto doméstico para tratamento em outros locais. Apenas a lagoa do City Petrópolis terá os resíduos destinados para a ETE do Luiza. Já o material processado nas outras quatro unidades será direcionado para a ETE Franca, que fica na Rodovia Cândido Portinari.
Veronez ressaltou que as obras para transferir os locais de tratamento incluem a construção de estações de bombeamento para elevar o nível das lagoas e novas redes para conduzir o esgoto até as ETEs. O valor estimado de investimento é de R$ 20 milhões. “Trata-se de um projeto robusto realmente, as redes vão cortar importantes avenidas da cidade. A ETE Franca é uma estação mais completa e moderna e tem capacidade para processar o que hoje é feito nas lagoas. Atualmente, esta estação tem vazão de 500 litros de esgoto por segundo, mas pode chegar a 750 litros por segundo”.
Ainda não está definido como ficarão as áreas após o fim das operações. “Nos locais onde as lagoas estão vai ser construída uma estação de bombeamento, mas que não irá ocupar toda a lagoa. Os projetos vão apontar se vai ter uma área verde ou uma praça, isso ainda vai ser estudado”, disse o gerente da Sabesp.
Como publicado recentemente pelo Jornal Verdade, as lagoas de decantação de esgoto doméstico foram instaladas pela Sabesp há 42 anos e, segundo Alex Veronez, elas cumpriram de forma eficaz a sua função, mas com o crescimento urbano passaram a gerar incômodo aos moradores vizinhos. “É importante ressaltar que as ETEs têm eficiência um pouco maior que as lagoas, mas elas atendem à legislação e removem o que é preconizado pela lei durante o processo de tratamento do esgoto. Quando foram construídas, elas ficavam em regiões mais isoladas, mas com o crescimento da cidade a população ocupou o seu entorno e realmente acabam enfrentando problemas porque elas têm odor característico. A gente diz que fábrica de bolacha cheira bolacha, então é complicado não ter odor. Por esse lado também vai ser bom desativá-las”.
O vereador Gilson Pelizaro (PT), que acompanhou o anúncio da desativação feito por Veronez na Câmara Municipal, ressaltou a importância deste processo. “O povo sofre muito com pernilongos, mau cheiro, e isso agora está com dias contados porque a Câmara Municipal aprovou o Plano Municipal de Saneamento Básico e lá estabelece ações, metas e prazos, e uma delas é o fim das lagoas de tratamento de esgotos”.
A Sabesp possui em Franca nove sistemas de tratamento de esgoto, sendo que seis lagoas. Elas deságuam na Bacia do Rio Canoas, com exceção apenas da unidade do Aeroporto que cai na Bacia do Rio Santa Bárbara.