Rafael Bruxellas, empresário foi candidato a prefeito pelo partido do PT, passando dos 17.000 votos em sua primeira candidatura a um cargo majoritário. Atualmente ele é membro da diretoria executiva do Partido dos Trabalhadores em Franca. Ele é o terceiro entrevistado do programa “Se você fosse o prefeito”, que entrevista pessoas ativas na política de Franca e região e está sendo apresentado quinzenalmente pelas redes sociais Facebook e Instagram, do Jornal Verdade e da Sociedade Organizada.
Todas as perguntas foram elaboradas de acordo com o contexto pelo qual a cidade atravessa, buscando encontrar soluções através de medidas alternativas, para a administração municipal.
Marcela Barros: Bruxellas, nós estamos acompanhando o caso dos fura-filas na cidade, o que você faria se fosse o prefeito e como fiscalizaria essa situação?
Bruxellas: O que tem acontecido em Franca é um desrespeito à população e o que temos percebido é que a prefeitura não se preparou para aplicar as vacinas nos cidadãos, e até recentemente utilizou um protocolo de Influenza quando na verdade a gente deveria estar utilizando um protocolo de Covid para utilização das xepas. Então começaram a acontecer uma série de denúncias e essas xepas começaram a ser utilizadas em várias pessoas que não são grupo de risco e inclusive pessoas que não estão dentro da idade necessária para se tomar a vacina, definida pelo governo do estado. E aí vimos uma série de fraudas, não só na vacinação, como também vimos na cidade de Franca casos de enfermeiras que não estavam vacinando de verdade. A prefeitura precisava agir com mais transparência mas não somente depois que a bomba estourou, ela deveria ter se planejado e apresentado um projeto de como seria essa de vacinação de forma transparente. É preciso ter uma capacidade de comunicar com a população para que as pessoas saibam exatamente como serão as etapas.
Fernando Calixto: Ainda nessa questão do Covid-19, a gente sabe que em Franca há os problemas de leitos, e caso aconteça uma terceira ou quarta onda da Covid na cidade, tememos a falta de leitos. Se você fosse o prefeito o que você faria para que isso não acontecesse?
Bruxellas: Desde a última gestão a gente vem trabalhando apenas o aumento gradativo de números de leitos. Se você pegar a gestão Gilson de Souza por exemplo, nós tínhamos a metade do número de leitos que nós temos hoje, ou um pouco menos, e nós não chegamos em situações como chegamos agora, então quer dizer que apenas aumentar o número de leitos não irá resolver, você precisa ter uma política que seja pensada em todos os aspectos. A gente vem defendendo há um tempo, inclusive protocolamos uma ação popular contra a prefeitura na gestão do Gilson, para que tivesse testagem em massa na população, implantação de barreiras sanitárias nas fronteiras da cidade, que fosse estabelecida uma parceria com universidades para acelerar o diagnóstico do coronavírus, para que se possa monitorar o deslocamento do vírus a partir do deslocamento das pessoas, e você consegue saber como que o vírus está se comportando dentro da cidade e por onde ele está passando e correndo o risco de infectar outras pessoas. O aumento do número de leitos é apenas uma das estratégias de um programa, mas que foi feito recentemente na gestão do Alexandre e se mostrou ineficiente, tanto que chegamos a essa situação de ter que fechar a cidade por conta do contágio do vírus e da fila no pronto socorro.
Marcela Barros: Recentemente tivemos um “lockdown” na cidade por quinze dias, você acredita que o fechamento total surtiu o efeito esperado? Quais as medidas você tomaria se você fosse o prefeito?
Bruxellas: Todas as políticas de isolamento social começam a ter reflexo após quinze dias da tomada da decisão e da implementação da política pública, da mesma forma as aglomerações também. Se nós formos relembrar o que aconteceu um pouco antes do “lockdown” na cidade de Franca, nós tivemos uma série de aglomerações como a final do campeonato paulista, que lotou a avenida Champagnat. Depois, o “lockdown” foi anunciado de forma abrupta, sem se preparar muito e causando susto na população, pois tínhamos um prefeito que não defendia o “lockdown”, que sempre foi contra esse tipo de política, disse na campanha que não faria e de repente mudou a posição. Eu, por exemplo, sempre defendi que o isolamento é uma medida importante, mas o “lockdown” é apenas uma das estratégias, não é a única. Como não foram feitas todas as etapas que funcionaram nas outras cidades, o “lockdown se tornou a única estratégia da prefeitura, que não sabia mais o que fazer. Tivemos uma série de empresas solicitando liminar para abrir durante o “lockdown”, mas o fato é que esse “lockdown” terminou na véspera do dia dos namorados. Então além de ter gerado aglomeração inicialmente nos supermercados pelo susto causado na população, terminou em cima de um feriado onde as pessoas tendem a aglomerar. Aquele efeito que poderia ter sido maior, acaba sendo mitigado por conta dessas aglomerações.
Fernando Calixto: O prefeito enviou para a Câmara o pedido de um milhão e trezentos mil reais para subsidiar passagens para a população mais pobre, para a São José. Na sua opinião, isso vale à pena? Você acha que esse dinheiro não poderia ser utilizado de outra maneira, como por exemplo na testagem em massa? E o que você faria se fosse o prefeito?
Bruxellas: a São José ameaçou ir embora de Franca na gestão do Gilson, para campinas, justamente por conta de subsídio, na época se não me engano era 1,2 milhão de reais, em um momento também de pandemia, de muita dificuldade. É uma empresa que está há 60 anos na cidade, e que está aqui por o lucro é bom, do contrário não estaria, e em um momento em que todas as outras empresas estão passando por grandes dificuldades vem colocar a faca no pescoço da população e chantageia. Eu fico muito tranquilo em dizer porque nenhuma das outras candidaturas apresentaram o que a gente já falava lá atrás, que nós tínhamos um cartel do transporte coletivo, não fizemos um processo de licitação para renovar o contrato na cidade de Franca, a Câmara abriu mão da sua possibilidade de ir contra e jogou nas costas da prefeitura, e agora nós temos um prefeito que como na sua primeira gestão compactua com a São José. Nós não vamos ficar aqui enganando as pessoas, e eu acho que o prefeito não devia estar fazendo isso nos seus vídeos, dizendo que esse recurso é para as pessoas mais pobres, no final das contas esse recurso praticamente um subsídio para que a São José não quebre. A gente sabe que o transporte coletivo passa por dificuldades praticamente no Brasil inteiro, agora não dá pra exigir da população que ela remunere a São José, esse recurso está sendo inclusive da quarta parcela do Covid, sem a São José ter a mínima capacidade de transparência e abrir a caixa preta para explicar para as pessoas os elementos que compõem as tarifas e porque ela está passando por essa dificuldade.
Marcela Barros: O prefeito Alexandre Ferreira alega que há um superávit dos recursos do Covid, mais precisamente da quarta parcela, o que você pensa a respeito e como você aplicaria esses recursos se você fosse o prefeito?
Bruxellas: quando a gerente faz o cálculo da arrecadação da prefeitura nos anos passados, você vê que esse recurso que foi enviado pelo governo federal foi uma reposição da arrecadação que acabou não completando que o valor que arrecadávamos antes por conta da pandemia, então o prefeito diz que tem um superávit, mas ele diz também que a última gestão deixou uma série de dívidas para ele e agora muda o discurso dizendo que tem um superávit e quer utilizar esse dinheiro para remunerar uma empresa como a São José. Eu acho que esse dinheiro tinha que ser utilizado para justamente combater a Covid no município. Até agora eu não vi o sistema de testagem em massa na cidade, até agora eu não vi as barreiras sanitárias, nem um processo efetivo de fiscalização por parte da gestão que não faz um planejamento de combate a Covid que atue em todas as frentes. O prefeito só pensa em aumento do número de leitos. Esse recurso deveria estar sendo utilizado justamente para o combate à covid.
Fernando Calixto: Uma das obrigações do legislativo é fiscalizar o executivo, mas a gente sabe que aqui em Franca isso muitas vezes não acontece. Como você acha que deve ser essa relação?
Bruxellas: O poder legislativo tem que se portar como a voz da população, por isso ele tem que se comportar de forma independente à prefeitura, então ele precisa ter agenda própria. O que a gente vê hoje é que a gente vê hoje é que a câmara trabalha no sentido viabilizar os projetos que são apresentados pela prefeitura e faz muito pouca oposição. O vereador Gilson Pelizaro, do meu partido, foi autor da lei que obrigava a prefeitura a divulgar o nome das pessoas que forma mais vacinadas para ter mais transparência, então há exceções dentro da câmara, mas a gente percebe que há também uma tendência talvez de “passar a mão” na cabeça do prefeito.
Marcela Barros: Como você enxerga a atuação do governo na cidade de Franca e como você agiria se fosse o prefeito?
Bruxellas: O governo do estado e governo federal é quem tem a chave do cofre então o prefeito não deve agir de forma irresponsável de ficar tentando travar batalha com governadores. Da mesma forma, o governo do estado jogou toda a responsabilidade dos últimos períodos, às prefeituras, durante a pandemia. Como no caso do “lockdown”, o governo do estado é que tinha que pensar uma estratégia de “lockdown” para todos os municípios, e o governo do estado não faz isso porque o governador João Dória está concorrendo à presidência da república, e a base que sustenta ele é contra esse tipo de política. No Brasil hoje parece que se inaugurou uma nova forma de gestão que é a “gestão campanha” então está todo mundo em campanha, o governo federal está o tempo todo fazendo campanha, o governo estadual pensando em sua reeleição na presidência da república, e o governo municipal se comporta de forma muito semelhante. Uma das principais coisas que a gente disse no combate à pandemia que não tem funcionado é a falta de articulação entre os governos federal, estadual e municipal. Infelizmente a gente tem um presidente da república que não utiliza máscara, não respeita uma série de protocolos científicos respaldados, temos um governador preocupado em ser eleito presidente da república e tem um prefeito do lado de cá que vai e volta nas suas ações, não consegue cumprir as promessas que fez na campanha em 2020.
Fernando Calixto: Um problema recorrente que temos em Franca é a saída das fábricas de Franca, as vezes até por subsídios melhores em outros estados, você como prefeito, o que faria para melhorar isso? Quais os subsídios ou quais as ideias que você tem em mente para ajudar as fábricas a ficarem em Franca?
Bruxellas: Isso é verdade, a gente começa a perceber que a indústria calçadista não gera mais a mesma receita, que o setor de comércio e de serviços vem crescendo no município nos últimos anos, justamente por conta de incentivos fiscais que são oferecidos por outros estados e que aqui não conseguem. Também tem a questão de mão de obra, mas o que a gente sempre defendeu é que se trabalhe na indústria a agregação do valor, ou seja, fazer produtos cada vez com mais qualidade para assim remunerar os profissionais qualificados e aumentar o lucro da empresa. Defendemos uma parceria entre o a prefeitura, o terceiro setor e as universidade públicas e privadas pra que você consiga centralizar todas essas pesquisas que estão sendo produzidas nessas universidades e pra que essas pesquisas sejam úteis para o mercado também, não só na questão calçadista, mas de várias indústrias que nós temos em Franca. Os subsídios dependem do governo do estado e o governo municipal não tem muita condição de ajudar essas empresas e de reduzir esses impostos, uma vez que são estadias, mas uma articulação do município com o governo do estado é extremante importante para que a gente garanta que essas empresas fiquem na cidade, e por fim diversificar a indústria no nosso município.
Marcela Barros: Gostaria que você deixasse uma mensagem para os nossos seguidores e para os nossos governantes.
Bruxellas: A política é algo que a gente tem que fazer com vontade, mas para isso é preciso que a gente tenha novas pessoas, novas ideias, para que a política continue encantando as pessoas e apresentando alternativas para os problemas reais da nossa população. Então eu quero convidar a todos vocês a participarem mais da política no nosso município, pois só assim conseguiremos sair dessa estagnação que estamos vivendo nos últimos 20 anos na cidade de Franca, e dizer que sei que estamos passando por um momento difícil, mas é por meio da consciência coletiva e do trabalho em conjunto que a gente vai conseguir sair disso. A prefeitura, o governo do estado e o governo federal precisam ter uma voz uníssona junto com a população. A gente precisa conseguir se integrar, se entender, para sair dessa junto. Não tem governo maior que a sociedade.
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O vídeo pode ser assistido na íntegra através das páginas do Jornal Verdade e Sociedade Organizada nas redes sociais.