Nesta tarde (22), os vereadores votarão o projeto de lei que implanta o chamado programa de auxílio transporte aos usuários de transporte público, e ao que tudo indica o projeto receberá voto contrário de todos os vereadores. O projeto estabelece uma parceria entre o governo e a empresa São José, com a finalidade de repassar um milhão, trezentos e cinquenta mil reais pela compra de passes.
O projeto não é claro quanto ao número de passagens seriam fornecidas nem quantos usuários seriam beneficiados, mas informa que quatrocentos e cinco mil reais serão retirados da quarta parcela da verba destinada ao combate do Covid-19. Esse valor seria uma sobra dos recursos que não foram utilizados no combate ao vírus mas poderia ainda ser aplicado na aquisição de testes e suprimentos para montagem de leitos de UTI.
A pressão da população tem sido intensa nos últimos dias em cima dos parlamentares, que passaram a receber mensagens em suas redes sociais e telefones pedindo um posicionamento. Empresários francanos também declararam revolta pois a empresa não seria a única a enfrentar a crise. De acordo com a empresa, em nota, ela “tem protocolado mensalmente pedidos de auxílio financeiro para conseguir manter a operação desde a gestão passada”, mas que não teria obtido nenhuma resposta da prefeitura para encontra uma solução.
O primeiro vereador a se manifestar foi Gilson Pelizaro (PT) no momento de envio do projeto à Câmara, também sendo ele que identificou a retirada de recursos do Covid-19. Na semana passada Marcelo Tidy (DEM) postou um vídeo em suas redes sociais dizendo ser completamente contrário e estar a favor do povo. Nesta tarde, entramos em contato com os vereadores, Donizete da Farmácia (MDB), Claudinei da Rocha (MDB) e Della Motta (POD) foram os primeiros a declarar o posicionamento contrário. No caso, Claudinei como presidente somente votaria em caso de empate entre os votos contrários e a favor. Carlinho Petrópolis (PL), Zezinho Cabeleireiro (PP), Daniel Bassi (PSDB), Ilton Ferreira (PL), Lurdinha Granzotte (PSL) e Kaká (PSDB) também manifestaram contrariedade ao projeto apresentado. Ronaldo Carvalho (CID), através de sua assessoria, não ter se decidido até o momento, Luiz Amaral (REP) e Lindsay Cardoso (CID) não responderam, enquanto Sérgio Palamoni (PSD) não possível contato. Portanto, com a maioria esmagadora de dez votos o projeto já será rejeitado, sendo possível que seja por todos os vereadores.
Segundo o vereador Donizete da Farmácia, a empresa tem todo o direito de reivindicar ajuda por estar passando por problemas financeiros, mas há vários segmentos que estão fechados sem nenhum faturamento, como comércios, restaurantes e trabalhadores da área de eventos e transporte escolar, levando muitos inclusive à falência. Na opinião dele, o mesmo benefício dado à empresa São José deveria ser concedido a todos, por isso ele é contrário a projetos que repassem verbas a empresa nesse momento, como o que está sendo discutido.
O presidente da Câmara, Claudinei da Rocha disse que é preciso fazer uma revolução no transporte público, com estudos aprofundados visando a melhoria dos serviços prestados à população, para que mais pessoas possam aderir ao uso de ônibus e assim diminuir o número de carros circulando nas vias de Franca, mas é preciso se aprofundar no tema e discutir para trazer soluções. Ressaltou que este não é o momento para se votar um projeto de repasse de verbas para uma empresa, diante do cenário da pandemia, porém o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) se recusou a retirar o projeto.