A greve dos motoristas do transporte público de Franca vai continuar nesta terça-feira (21). O motorista Paulo César, que também é membro do Sindicato dos Motoristas, informou ao Jornal Verdade que eles não chegaram a um acordo com a São José. O impasse vem desde o último sábado (19), quando os motoristas pararam em protesto aos pagamentos atrasados.
Quem depende do transporte público em Franca teve uma segunda-feira difícil, com a paralização dos serviços. No terminal da Estação e no Ayrton Senna, muitos foram pegos de surpresa com a greve, alguns chegaram atrasados ao trabalho.
A vendedora de uma loja de roupas do centro, Lidiane Ferreira Silveira, relatou que dividiu uma corrida de aplicativo com outras pessoas que estavam no ponto de ônibus, o que fez com que a corrida ficasse mais em conta, mesmo assim na volta ela terá que pagar novamente, situação que preocupa. “É ruim, quem é assalariado já vive com o dinheiro contado, não posso ficar pagando aplicativo mesmo dividindo, porque são duas corridas por dia, ida e volta”, desabafou.
A aposentada Maria Ribeiro Faleiros, de 68 anos, contou que precisava ir até a agência da Caixa no centro da cidade para atualizar informações cadastrais. Ela afirmou que não consegue resolver os problemas pela internet, já que não possui aplicativo do banco. “Eu moro no Leporace e não vi os ônibus passando. Foi então que me falaram que estava de greve. Eu chamei a moto, foi a saída que eu tive”, contou.
O presidente do Sindicato dos Motoristas de Franca, Geraldo Xavier, afirmou que as negociações para volta do serviço não tiveram sucesso, e que enquanto o pagamento não for realizado os motoristas não retornarão.
Confira na íntegra a nota da empresa São José sobre a greve dos motoristas:
“A São José, concessionária que opera o transporte coletivo urbano em Franca, entrou hoje com uma ação judicial para conseguir atender a população usuária. A transportadora pede à Justiça a garantia de uma frota mínima para conseguir prestar o serviço essencial à população.
A concessionária, que teve a sua saúde financeira ainda mais abalada desde o início da pandemia, ficou sem receita alguma durante o período de lockdown. Durante duas semanas, por força de decreto municipal, como nenhum passageiro foi transportado, a concessionária não conseguiu efetuar o pagamento dos seus compromissos com os seus funcionários e fornecedores.
A São José esclarece que, em momento algum, teve a intenção de trazer qualquer tipo de desconforto aos seus funcionários e à população. Desde o início do ano passado houve queda acentuada no transporte de passageiros, além dos constantes reajustes nos preços do diesel, pneus, mão de obra, peças e acessórios, lubrificantes, veículos e demais componentes da ‘cesta de transporte’.
Esses fatores combinados (queda na demanda e reajustes elevados nos insumos, aliado à falta de revisão no custo do passageiro transportado) impactaram diretamente o caixa da concessionária. Todas as informações são de conhecimento da Prefeitura de Franca e da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Franca (Emdef), órgão responsável pelo transporte e trânsito no município.
A São José entende que, caso a paralisação realizada pelo Sindicato dos Rodoviários for mantida por tempo indeterminado, além do prejuízo à comunidade francana, ela continuará sem receita e, dessa forma, será ainda mais difícil efetuar o pagamento dos funcionários, fornecedores e as demais despesas fixas e variáveis já contratadas”.