O lockdown em Franca divide opiniões, enquanto grande parte apoia, outra parcela também grande discorda. O assunto é polêmico e traz uma leque de possibilidades de discussões.
O Mestre em Direito Público, Professor de Direito Administrativo e Operador na Área Pública, Toninho Menezes critica a medida. Para ele tudo o que está sendo vivido agora é resultado de uma má gestão da pandemia pelo poder público.
“Os defensores do lockdown não aceitam que tal procedimento não deu certo em lugar nenhum no mundo obviamente em lugares sérios, onde ele é analisado sem o problema político. É só olhar que onde fizeram o fechamento total não trouxe o resultado que se esperava. Excluindo os locais que manipulam os dados, como por exemplo Araraquara, pois lá se fala que o percentual de utilização das UTIS caiu após o lockdown, o que é uma inverdade. Após o lockdown, o governo estadual aumentou o número de leitos de UTI, obviamente assim pode parecer que o percentual de uso caiu, mas é porque houve um aumento de leitos, consequentemente queda no percentual dos internados. Somente os desatentos aceitam o que não tem comprovação cientifica”, defendeu.
Sobre a administração do poder público, Menezes defendeu ainda que falta ousadia por parte de administradores para defender a população. Posso afirmar que não temos gestores públicos, mas sim pessoas que não possuem a ousadia necessária e a coragem para tomar decisões na defesa de seus administrados. Temos apenas dublês de administradores que não fazem outra coisa a não ser plagiar o que os outros fizeram. Basta olhar que as redações dos decretos são idênticas, não redigem um decreto diferente dos modelos que estão rodando por aí”.
Para o advogado, as consequências do lockdown já estão sendo sentidas, principalmente por conta de a medida ter sido tomada em cima da hora, prejudicando o planejamento de empresários, por exemplo. “As consequências são nítidas para quem tem consciência do que é vida em sociedade. Temos empresários com pedidos para serem entregues e vão arcar com todo o prejuízo e perda da clientela, como no caso da exportação. Parece que nossas autoridades não têm nenhum conhecimento e nem vivência nessa área e tomam tais medidas. Temos comerciantes que vão perder seus estoques de perecíveis, temos prestadores que tiram seu sustento do trabalho no dia a dia, é um desastre que a má administração amputa ao seu cidadão e não tem a humildade de aceitar e assumir. Cadê as UTIS que foram retiradas durante o período eleitoral, apenas para dar a sensação de que estava tudo sobre controle? Cadê os hospitais de campanha? Cadê o dinheiro e a prestação de contas? ”, avaliou.
Ainda de acordo com o especialista, o poder Judiciário também deixou a desejar nos últimos meses, já que não defendeu a população. O pior de tudo isso para nós operadores do Direito é ver um Judiciário que compactua com tudo isso, pois não sabe nem se quer interpretar a Constituição Federal que proíbe tais atos. Onde está o Ministério Público, que deveria se contrapor a isso, ao contrário de defender tal situação política, porque sabemos que todos são capacitados e conhecem o direito constitucional. Obviamente os servidores estão tranquilos, seus pagamentos estão garantidos todo mês diferentemente dos cidadãos comuns que não sabem mais como vão fazer. Porque durante o lockdown não suspendeu as cobranças dos impostos municipais? O que falar da cobrança de água e energia? Não sou a favor de lockdown, mas sim de medidas preventivas e investimentos na saúde que ficou relegado em décadas, visto que as cidades cresceram e o investimento não acompanhou. Cadê os investimentos dos impostos? É isso que nós precisamos agora”, finalizou.
Sentindo na pele
O empresário José Rosa Jacomete, conhecido como “Zuza”, criticou a postura da população diante à pandemia. Para ele os maiores culpados são os jovens, principalmente aqueles que fazem festas clandestinas. “Não posso falar que foi uma má administração. Você anda aqui em Franca você encontra bares lotados, vemos notícias de baladas, festas, até mesmo aquela cavalgada com mais de 500 pessoas, falta consciência de muitos”, pontuou.
O empresário contou ainda que está sentindo na pele os prejuízos causados pelo lockdown e outras restrições. “Eu já tive 270 funcionários, hoje tenho 200. São pais, mães, estudantes, pessoas que precisam de trabalhar e agora estão parados por conta da falta de colaboração de muitos. Eu tinha uma entrega de três mil pares de sapatos para o dia dos namorados, vou ficar sem entregar infelizmente, é uma consequência que estamos sofrendo. Isso me gera muita revolta, indignação de pensar que tem gente que não está nem aí para a pandemia”, afirmou.